A presença de lixo ao longo do percurso pedestre entre o
Pico do Areeiro e o Pico Ruivo está a gerar críticas entre caminhantes e guias
de montanha, que questionam as condições de limpeza de um dos trilhos mais
procurados da Madeira assim como o destino dado à receita das taxas cobradas aos
visitantes.
Lenços de papel, beatas e sacos de plástico são alguns dos
resíduos que têm sido encontrados ao longo do PR1, que
atravessa o Maciço Montanhoso da ilha, uma área protegida de elevado valor
ambiental integrada no Parque Natural da Madeira.
A situação é particularmente contestada por guias de
montanha, que consideram que a cobrança de uma taxa aos utilizadores deveria
contribuir para assegurar a manutenção e limpeza dos percursos. A falta de
civismo de alguns caminhantes agrava o problema, com resíduos a serem deixados
directamente na natureza.
“Que façam pagar as levadas e caminhadas com o propósito de
manter os trilhos limpos e seguros, concordo. Mas a realidade é que nem uma
coisa nem outra”, lamenta um guia de montanha, que partilhou com o DIÁRIO
imagens do lixo encontrado ao longo do PR1.
"E encontramos também tantas beatas no cume do Pico Ruivo!”,
acrescenta.
O PR1 reabriu em Abril deste ano, depois de o Governo
Regional ter concluído as obras de recuperação do percurso, na sequência dos
danos provocados por uma grande derrocada ocorrida durante os incêndios de
Agosto de 2024. A derrocada afectou particularmente o troço entre o Miradouro da
Pedra Rija e o Pico Ruivo.
Com a reabertura, e devido à elevada procura, o percurso
passou a estar sujeito a reserva antecipada através do portal Simplifica. Estão
disponíveis entradas de 30 em 30 minutos, mediante o pagamento de uma taxa de
10,50 euros por caminhante. Para os residentes na Região Autónoma da Madeira, a
entrada é gratuita.
A cobrança desta taxa contrasta, segundo os críticos, com a
percepção de falta de manutenção e limpeza em alguns pontos do percurso, numa
altura em que o PR1 continua a receber diariamente um elevado número de
visitantes.
A limpeza dos percursos e áreas naturais sob gestão pública
esteve, entretanto, abrangida por um contrato celebrado pelo Instituto das
Florestas e Conservação da Natureza (IFCN).
No início de Novembro de 2025, o Instituto contratou a
empresa Montanhas Assertivas, constituída dois meses antes, para
assegurar a recolha e limpeza de resíduos em áreas naturais sob a sua gestão.
O procedimento, no valor de 75 mil euros, previa a recolha
semanal de lixo em duas áreas naturais com elevada afluência turística — Fanal
e Rabaçal — assim como em sete percursos pedestres classificados, entre os quais o PR1 - Vereda do Areeiro.
O contrato, celebrado por consulta prévia, vigorou durante
dois meses e abrangia uma área de intervenção de 3.735 metros quadrados, de
acordo com o respectivo caderno de encargos.
Concluído o período da adjudicação, os trabalhos de limpeza
passaram a ser assegurados pelo próprio IFCN, através de meios próprios.
Entretanto, foi lançado um novo procedimento para a realização dos
serviços de limpeza que já foi adjudicado.
A gestão dos percursos pedestres e a questão da manutenção de alguns trilhos tem estado em foco na Região, sobretudo, com devido à crescente procura por parte de caminhantes e entusiastas da natureza.
Em finais de Julho, um grupo de 11 voluntários, composto por madeirenses e residentes estrangeiros, realizou uma acção de limpeza na Vereda do Larano, numa iniciativa que pretende alertar para a acumulação de lixo nos trilhos pedestres da Madeira.



