
Há uma imagem que descreve na perfeição o fenómeno Ventura: um Hulk bem penteado. Por dentro, fúria pronta a rebentar ao mínimo pretexto — indignação moral em modo turbo, dedo apontado, decibéis no máximo, aquele ar de quem está prestes a rasgar a camisa a meio de uma entrevista da noite. Por fora, gravata impecável, discurso ensaiado ao milímetro, sorriso de quem sabe exatamente quando a luz vermelha da câmara acende e fala para casa. É a fera domesticada por um blazer de boa alfaiataria — o monstro com corte de cabelo de conferência de imprensa e laca suficiente para aguentar uma tempestade tropical.