O Núcleo Regional da Quercus alerta para a excessiva dependência da Madeira do exterior no abastecimento alimentar e para a vulnerabilidade da Região perante uma eventual crise alimentar global.

A associação ambientalista considera que as alterações climáticas, os conflitos internacionais e a redução prevista da produção de culturas essenciais poderão agravar a insegurança alimentar, defendendo uma maior aposta na produção agrícola regional.

"Não vemos o Governo Regional verdadeiramente preocupado em garantir uma produção agrícola regional que diminua a nossa dependência do exterior", afirma a Quercus, que reclama "políticas assertivas e responsáveis" orientadas para o médio e longo prazo.

A associação considera que os terrenos com aptidão agrícola devem ser protegidos da pressão imobiliária e da construção de campos de golfe. "Sendo o solo um recurso estratégico escasso na região, é forçoso que se salvaguarde os terrenos com aptidão agrícola", defende.

A Quercus critica particularmente a destruição de terrenos agrícolas na Ponta do Pargo para a construção de um campo de golfe e questiona a intenção de avançar com novos campos no Faial e no Porto Santo.

"E o futuro? E a nossa segurança alimentar?", questiona a organização, que alerta também para o consumo de água associado ao golfe e ao imobiliário.

A associação recorda as dificuldades de abastecimento sentidas na Madeira durante a Segunda Guerra Mundial e defende que terra e água sejam preservadas como uma reserva estratégica.

Estes recursos constituem uma reserva "soberana", uma mais-valia que não tem preço. Não se compreende que sejam delapidados para suportar um desporto de elites, que poderão nem vir, em caso de agravamento da conjuntura internacional.
— Quercus

"Precisamos, antes que seja tarde, de uma alteração de rumo de modo a nos tornarmos mais resilientes e autónomos", conclui.