As Nações Unidas avisaram hoje que as novas tecnologias podem colocar seriamente em risco as radiofrequências essenciais às observações meteorológicas e à monitorização do planeta Terra.
Os radares meteorológicos, os radares de perfil de vento, as radiossondas, as redes de deteção de raios, as observações aeronáuticas e marítimas e os sistemas de monitorização hidrológica dependem todos do acesso a frequências específicas que não devem ser perturbadas.
Certos sensores medem sinais naturais em frequências específicas, o que torna particularmente importante proteger o sistema contra interferências prejudiciais, avisou a ONU.
A crescente utilização de frequências por outros serviços de radiocomunicações --- incluindo comunicações sem fios e serviços por satélite --- aumentou o risco de interferências que podem afetar as gamas de frequências dedicadas aos sistemas de observação meteorológica.
O alerta foi transmitido hoje pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Segundo os organismos, as interferências de radiofrequência podem, de facto, prejudicar as medições, reduzir a qualidade ou a disponibilidade dos dados e, consequentemente, comprometer a fiabilidade das previsões e dos alertas.
Os peritos vão reunir-se esta semana em Genebra para analisar os perigos sendo que as duas agências da ONU já pediram aos governos e às autoridades reguladoras que preservem o acesso às frequências indispensáveis à meteorologia, as quais estão protegidas pelo Regulamento das Radiocomunicações da UIT.
"Prevenir interferências de radiofrequência prejudiciais é uma questão de segurança pública e pode salvar vidas", afirmou Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da UIT.
As frequências livres de interferências permitem "manter a precisão das previsões meteorológicas, a divulgação atempada de alertas, avisos de emergência e a fiabilidade dos dados climáticos --- para que as populações se possam preparar", sublinhou.
A UIT estabelece o quadro internacional para a utilização do espectro de radiofrequências, mas cabe aos Estados e às autoridades nacionais proceder à gestão e autorizar a utilização das frequências nos respetivos territórios.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo disse que o espectro de radiofrequências é um recurso natural limitado e acrescentou que a meteorologia depende de bandas de frequência específicas devido a propriedades físicas da própria atmosfera e "permitem observações que nenhuma outra frequência pode fornecer".
"Estas bandas (frequências) precisam de ser protegidas. Proteger as frequências que nos permitem observar a atmosfera significa proteger as previsões meteorológicas e os sistemas de alerta precoce de que cada país depende", enfatizou.
