Oito pessoas tiveram de ser realojadas na sequência do incêndio de grandes dimensões que deflagrou, na noite de ontem, num edifício habitacional na Zona Velha do Funchal.

No total, foram oito os moradores para quem foi assegurado alojamento durante a noite. Nem todas as pessoas realojadas residiam no edifício directamente atingido pelas chamas. Pelo menos um dos agregados vivia num prédio contíguo, que não foi alcançado pelo fogo, mas onde a presença de fumo não permitia, naquela altura, a permanência em segurança.

Declarações de Valter Ferreira

A ocorrência provocou ainda dois feridos ligeiros - uma pessoa que residia no prédio e uma bombeira -, ambos transportados, por precaução, para o Hospital Dr. Nélio Mendonça. O fogo ficou confinado ao edifício onde teve início, sem se propagar às habitações contíguas.

O balanço foi feito por Válter Ferreira, adjunto de comando do Serviço Regional de Protecção Civil, que explicou que o alerta chegou à sala de comunicações pelas 23h33.

A primeira informação recebida pelas autoridades apontava para um incêndio na Capela da Boa Viagem. Tendo em conta a localização, a densidade urbana e a vulnerabilidade daquela zona do Funchal, foram imediatamente mobilizados meios significativos.

Quando chegaram ao local, porém, os bombeiros perceberam que as chamas não atingiam a capela, mas sim um edifício de habitação nas proximidades.

Segundo Válter Ferreira, os operacionais encontraram um prédio de três pisos já tomado pelo fogo. A prioridade passou, desde logo, por impedir que as chamas alastrassem aos edifícios vizinhos, num quarteirão caracterizado pela proximidade entre construções.

O incêndio foi dado como dominado pelas 2h45. A partir dessa hora, os meios mantiveram-se no local durante a madrugada para prevenir eventuais reacendimentos e assegurar as necessárias operações de vigilância. Alguns operacionais permaneceram na zona durante a manhã.

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42 operacionais no ataque inicial

Para o ataque inicial ao incêndio foram mobilizados 42 operacionais e 16 viaturas.

Estiveram envolvidos os dois corpos de bombeiros do Funchal - Bombeiros Sapadores do Funchal e Bombeiros Voluntários Madeirenses -, tendo a operação sido posteriormente reforçada pelos Bombeiros Sapadores de Santa Cruz.

O reforço já tinha sido avançado pelo DIÁRIO durante a madrugada, numa altura em que as chamas apresentavam ainda elevada intensidade e uma coluna de fumo era visível a partir de vários pontos da cidade. A PSP delimitou também um perímetro de segurança nas ruas adjacentes para facilitar a intervenção dos meios de socorro.

A dimensão do incêndio chegou igualmente a levar estabelecimentos da Zona Velha a encerrarem temporariamente por razões de segurança e para libertarem espaço para a operação dos bombeiros.

Apesar da intensidade das chamas, o dispositivo conseguiu evitar a propagação do fogo aos prédios contíguos.

Alerta inicial apontava para capela

O incêndio gerou grande aparato na Zona Velha e, nos primeiros momentos, a informação disponível era ainda pouco precisa.

O alerta transmitido às autoridades dava conta de um incêndio nas imediações de uma capela. Foi já com os meios no terreno que se confirmou que o fogo lavrava num edifício habitacional.

Durante a madrugada, o DIÁRIO acompanhou a evolução da ocorrência, dando conta da dimensão das chamas, da forte concentração de fumo e do reforço sucessivo do dispositivo de combate.

O incêndio ocorreu poucos dias depois de outro fogo de grandes proporções no centro do Funchal, na Rua do Sabão. Nesse caso, registado a 18 de Setembro, não houve feridos, embora tenha sido necessária a evacuação preventiva de espaços próximos e tenham ocorrido reacendimentos nos dias seguintes.