A Câmara Municipal do Funchal
está a reforçar os meios destinados à limpeza urbana para responder ao aumento
da pressão provocado pela população flutuante que diariamente passa pela
cidade. Mais trabalhadores e maior frequência dos circuitos de recolha de
resíduos são as duas respostas apontadas pelo presidente da autarquia, Jorge
Carvalho.

Questionado sobre as
consequências da crescente afluência turística na limpeza da cidade, o autarca
explicou que o Município tem actuado “essencialmente por duas vias”: através do
“recrutamento de pessoal, reforçando as equipas” e do aumento “dos circuitos e
dos fluxos de recolha de lixo”.

Jorge Carvalho reconhece que a
dimensão turística do Funchal obriga a uma atenção particular nesta área.
“Sabemos que uma cidade como a nossa, que tem um turismo residente e um turismo
flutuante muito significativo”, exige respostas adaptadas, afirmou, salientando
a necessidade de compatibilizar a limpeza com a fruição da cidade e a
actividade comercial.

O reforço traduz-se também num
aumento da frequência das recolhas. O presidente da Câmara deu como exemplo os
domingos e, em particular, os dias de maior movimento provocado pela presença
de navios de cruzeiro, em que a pressão sobre os equipamentos urbanos aumenta
consideravelmente.

“Não é por acaso que se passa de
três recolhas para quatro”, exemplificou Jorge Carvalho. Segundo o autarca, há
necessidade de assegurar circuitos adicionais para evitar que, durante a manhã,
papeleiras e outros equipamentos fiquem sem capacidade, prejudicando não apenas
os turistas, mas também os residentes que utilizam a cidade ao fim-de-semana.

Esta pressão não se limita,
contudo, aos resíduos. Jorge Carvalho chamou a atenção para os efeitos do
aumento da população flutuante em serviços menos visíveis, como as redes de
abastecimento de água. “Temos mais carga a todos os níveis e a todos os serviços
municipais”, observou.

É também neste contexto que a
Câmara enquadra a aplicação da taxa turística, cuja receita é utilizada em
áreas que suportam directa ou indirectamente a actividade turística. No último
ano, segundo o presidente do Município, a cobrança terá rendido cerca de 14
milhões de euros, montante que a autarquia acredita poder voltar a alcançar
este ano.

O aumento da taxa turística no
próximo ano já havia sido anunciado, mas Jorge Carvalho adiantou agora que o
estudo para fixar o novo valor está praticamente concluído. “Penso que dentro
de uma semana, pouco mais, teremos esse assunto fechado”, revelou.

Actualmente fixada em dois euros
por pessoa e por noite, até ao máximo de sete noites, a taxa terá um valor
superior em 2027. Confrontado com a hipótese de passar para três euros, o
presidente da Câmara não confirmou o montante, limitando-se a dizer que subirá
“um bocadinho mais”.

Jorge Carvalho defende que a
receita deve ajudar a compensar os encargos adicionais que a presença turística
coloca sobre os serviços da cidade. “Faz sentido que não sejam só os
funchalenses a suportar todos esses encargos”, afirmou, referindo áreas como
resíduos e consumo de água.

A pressão é particularmente
visível em espaços de elevada procura turística, como o Mercado dos Lavradores.
Jorge Carvalho estima que sejam “milhares de pessoas” a visitar aquele espaço,
integrado numa rota que passa pela Sé, Mercado, Zona Velha e zona dos
teleféricos. A Câmara procura, segundo disse, conciliar a afluência de
visitantes com as condições necessárias para comerciantes e clientes.

Confrontado ainda com queixas e
vídeos que têm circulado sobre preços e alegadas situações envolvendo turistas
no Mercado dos Lavradores, o presidente da Câmara defendeu que eventuais
irregularidades devem ser comunicadas às entidades competentes. “Se existem
essas situações e essas condições, elas devem ser denunciadas às autoridades”,
afirmou, salientando que o Mercado mantém uma actividade comercial onde têm
expressão os produtos regionais.