Desde ontem que o vereador Luís
Filipe Santos volta a representar as cores do Chega na Câmara Municipal do
Funchal, no que traduz um regresso ao partido pelo qual foi eleito no ano passado,
isto depois de ter passado a exercer o seu mandato como independente nos
últimos sete meses, por não existirem “condições políticas, institucionais e
pessoais”, conforme o próprio apontou, esta manhã, numa conferência de imprensa,
na sede do partido.
O primeiro a falar foi Hugo Nunes.
O presidente da estrutura regional começou por se congratular com o facto de o
Chega voltar, assim, a ter representação na vereação do Funchal, mostrando-se
confiante de que Jorge Afonso Freitas, o outro vereador que passou, igualmente,
a independente, acabará por regressar.
Para o líder regional, este
regresso demonstra que estão ultrapassadas as divergências que levaram Luís
Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas a romper com o partido. Hugo Nunes
sublinhou que ambos saíram devido a divergências com a anterior liderança regional,
então encabeçada por Miguel Castro, e não por discordarem do Chega.
Uma das garantias dadas pela nova
Comissão Política Regional é a autonomia dos eleitos na Câmara. “Não vamos
interferir naquilo que o vereador estiver a fazer”, assegurou Hugo Nunes,
ressalvando o respeito pelas linhas orientadoras do partido. O dirigente acusou
a anterior liderança de tentar “controlar” a intervenção autárquica através de
“várias imposições”.
Sobre Jorge Afonso Freitas, ainda
não deu como garantido o seu regresso, Hugo Nunes revelou que as conversações
prosseguem e mostrou-se confiante num entendimento “daqui a alguns dias,
semanas”. Garantiu ainda que as condições apresentadas aos dois vereadores
foram as mesmas.
Questionado sobre a perda de
financiamento decorrente da saída de Miguel Castro do grupo parlamentar, o
líder regional não quantificou ainda o impacto. “O Chega não é um partido que
se move pelos valores, somos um partido que se move pelo trabalho”, afirmou,
considerando que Miguel Castro “faz parte do passado”.
Luís Filipe volta a falar em
“tentativas de condicionamento político”
Luís Filipe Santos justificou o
regresso com a alteração das condições que determinaram a sua saída em
Fevereiro. “Decidi regressar ao Chega e voltar a assumir politicamente o
mandato para o qual fui eleito pelo Chega”, declarou.
O vereador afirmou ter abandonado
o partido por terem deixado de existir “condições políticas, institucionais e
pessoais” para trabalhar sob a liderança de Miguel Castro. Apontou “tentativas
de condicionamento político relativamente ao sentido de voto dos vereadores”,
declarações públicas que colocaram em causa a confiança nos eleitos e a
“imposição de uma assessora” cuja escolha não teria contado com a participação
dos vereadores.
“Chegou o momento em que tive de
decidir entre obedecer a orientações com as quais não concordava ou manter a
liberdade necessária para defender aquilo que considerava melhor para o
Funchal”, afirmou.
Luís Filipe Santos garante que
durante os meses como independente manteve, juntamente com Jorge Afonso
Freitas, a apresentação de propostas e iniciativas na Câmara. Sobre o futuro do
colega, com quem diz falar diariamente, manifestou o desejo de continuar a
contar com ele, classificando-o como “um brilhante técnico” e “dos melhores
urbanistas do País”.

