O Instituto das Florestas e
Conservação da Natureza (IFCN) rejeita que a quebra na produção de plantas
registada em 2025 traduza uma perda de capacidade dos viveiros florestais e
acusa o DIÁRIO de fazer uma leitura "descontextualizada" dos números noticiados hoje.

"A notícia publicada esta segunda-feira pelo 'Diário de
Notícias' sobre os viveiros florestais do Instituto das Florestas e
Conservação da Natureza (IFCN) assenta numa descontextualização dos números e
numa interpretação que não corresponde à realidade actual do Instituto", lemos na reacção à notícia, que dá conta de uma redução superior a 30% na produção. O Instituto apresenta novos
dados e defende que está em curso uma "alteração de paradigma", assente numa
maior diversidade, no reforço das espécies autóctones e na adequação da
produção às necessidades de reflorestação.

Pode ler a notícia sobre o decréscimo da produção nos viveiros do IFCN na edição de hoje do seu DIÁRIO. 
Pode ler a notícia sobre o decréscimo da produção nos viveiros do IFCN na edição de hoje do seu DIÁRIO., Foto DR

A nota enviada ao DIÁRIO não
esclarece, contudo, as limitações de recursos humanos que o próprio IFCN
identificou em relação a 2025 para justificar o incumprimento das metas
traçadas. Nos documentos consultados pelos DIÁRIO, o Instituto refere que a
falta de pessoal levou à afectação de trabalhadores dos viveiros à cobrança nos
percursos pedestres classificados e acrescenta que se verificou um número "anormalmente elevado de baixas médicas". Sobre esses dados, que sustentam a
notícia publicada, aquele organismo público nada adianta.

Além disso, foi com base nos mesmos documentos oficiais que o DIÁRIO noticiou que a produção de plantas autóctones
passou de 157.985 exemplares em 2024 para 104.568 em 2025, uma quebra de 33,8%.
Nas plantas florestais diversificadas, a produção baixou de 190.016 para
115.467, menos 39,2%.

Entre outros indicadores que o IFCN considera, agora, importantes para avaliar o desempenho dos seus viveiros temos a diversidade de espécies e a composição da produção, aspectos que foram noticiados pelo DIÁRIO na semana passada, mas que não contrariam, ainda assim, os números apontados na notícia desta segunda-feira.

Em 2023, os viveiros do IFCN produziam 105 espécies: 62 indígenas e 43 exóticas. Actualmente, produzem 135 espécies, das quais 92 são indígenas e 43 exóticas. Isto significa que, em três anos, foram acrescentadas 30 espécies à produção dos viveiros, sendo que o aumento ocorreu exclusivamente entre as espécies indígenas, que passaram de 62 para 92.
Também não é possível falar da produção atual sem considerar a sua composição. Em 2026, 85% das plantas produzidas até ao momento são autóctones, num total de cerca de 98.147 exemplares indígenas, face a 17.320 plantas exóticas.
E há outro número que a notícia não pode ignorar: o IFCN dispõe actualmente de um stock de 163 mil plantas, com porte e vigor adequados para serem utilizadas em acções de reflorestação. Ou seja, olhar apenas para a produção anual e ignorar o stock existente é, mais uma vez, retirar um número do contexto para tentar sustentar uma conclusão que os dados globais não permitem retirar.
— Esclarecimento do IFCN remetido hoje ao DIÁRIO

Na mesma reacção, é referido que os viveiros passaram de 105 espécies produzidas em
2023 para 135 actualmente, sendo que o aumento ocorreu exclusivamente nas
indígenas, que subiram de 62 para 92. Revela ainda que, em 2026, período
temporal que foge ao tido em conta na notícia, 85% da produção realizada até ao
momento é autóctone, correspondendo a 98.147 exemplares, aos quais se juntam
17.320 plantas exóticas.

Notícia publicada pelo DIÁRIO no dia 11 de Setembro. 
Notícia publicada pelo DIÁRIO no dia 11 de Setembro., Foto DR

O Instituto destaca igualmente a
existência de um stock de 163 mil plantas com condições para serem utilizadas
em acções de reflorestação. Para o IFCN, considerar apenas a produção anual e
ignorar esse stock significa "retirar números do seu contexto". A notícia do
DIÁRIO já admitia, contudo, que as acções de florestação poderiam estar a
recorrer a plantas produzidas em anos anteriores ou a stocks disponíveis,
ressalvando que os documentos públicos não permitiam determinar a sua origem.

Não se podem retirar números do seu contexto, comparar valores isolados e, a partir daí, construir uma realidade que os próprios dados não sustentam. A evolução dos viveiros do IFCN não pode ser avaliada exclusivamente pelo número de plantas produzidas num determinado ano. Essa leitura ignora deliberadamente a transformação que está em curso no modelo de produção, nomeadamente o reforço da biodiversidade, o aumento da produção de espécies autóctones, a adequação às necessidades reais de reflorestação e a modernização das estruturas e dos processos.
— Esclarecimento do IFCN remetido hoje ao DIÁRIO

Até ao final deste ano, a
produção deverá atingir cerca de 125 mil plantas, adianta ainda o IFCN, através
da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, que sustenta que os
viveiros estão a deixar de "produzir apenas para atingir volumes" para passarem
a responder às "necessidades concretas do território", privilegiando espécies
autóctones, diversidade e qualidade. "Produzir mais plantas, sem garantir que são as espécies adequadas, que têm qualidade suficiente e que correspondem às necessidades efectivas das intervenções, não é necessariamente produzir melhor", argumenta.

Esta alteração de paradigma não
consta, porém, da justificação apresentada pelo IFCN nos documentos oficiais
que fazem o balanço da sua actividade, para a produção abaixo das metas em
2025, onde são apontadas as limitações de recursos humanos. A reacção não
esclarece quantos trabalhadores foram deslocados para os percursos, qual o
impacto das baixas médicas ou se essas limitações se mantêm em 2026.

Também não esclarece se a redução
da meta de produção de plantas autóctones, que passou de 150 mil em 2025 para
100 mil este ano, decorre da anunciada mudança do modelo produtivo ou das
limitações operacionais identificadas pelo próprio Instituto.