O Núcleo da Madeira do SINERGIA - Sindicato
da Energia quer que a Empresa de Electricidade da Madeira mantenha a capacidade
térmica para responder às situações em que as renováveis não estão à altura do
desafio e que promova formação para colmatar o que identifica como falta de mão-de-obra
especializada. Propõe um modelo de formação dual, alternando formação em
contexto escolar e em contexto de trabalho.

“Num ano hidrológico seco, coincidente com dias sem recurso
eólico, é a capacidade térmica que cobre as pontas noturnas, quando o solar não
é opção”, alertou Emanuel Alberto Vieira. O Coordenador, na conclusão de um encontro
mantido com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, no passado dia 17,
reconhece que a EEM e os seus profissionais “souberam aproveitar o Plano Recuperação
e Resiliência para reforçar a estabilidade do
sistema e integrar mais energias renováveis”, mas que a empresa madeirense não
pode fassentar a estratégia apenas nesta solução. O sindicalista lembra que a produção
de energia a partir de renováveis está dependente das condições meteorológicas,
“o que exige redundância e capacidade firme disponível para assegurar o
abastecimento em qualquer circunstância”. Daí, alertou, a necessidade de manter
a capacidade térmica. “Num sistema sem qualquer interligação, a segurança do abastecimento
não se decreta. Num ano seco, numa noite sem vento, não há sol que substitua
uma central térmica pronta a entrar. É por isso que a capacidade firme não é um
luxo, é a condição para as renováveis poderem crescer”.

No encontro com Gonçalo Leite Velho e Sancha Campanella, Emanuel
Alberto Vieira aproveitou para explicar a diferença entre um sistema eléctrico
interligado, como o da Península Ibérica, e “o desafio de explorar dois
sistemas isolados, sem ligação ao exterior nem entre si”, como acontece na Madeira.

Em relação aos profissionais, e ao investimento no reforço
da formação técnica a nível regional, acredita que é mais do que responder à
necessidade da empresa. “O conhecimento técnico qualificado sustenta emprego
estável e bem remunerado na Região, e a erosão dessa base tem consequências
sociais que extravasam o sector eléctrico”, afirmou.

Na ocasião, o representante do sindicado da energia falou
ainda da importância da escala nesta área, recomendando a gestão integrada do Grupo
EEM “Da produção ao transporte e à distribuição, permite os ganhos de
eficiência possíveis dentro das limitações que a condição insular, por si só,
impõe”.

Além do PS, os representantes do SINERGIA pretendem reunir
com todos os grupos com assento na Assembleia Legislativa da Madeira.