A Iniciativa Liberal (IL) considera que a manutenção de Serviços de Atendimento Urgente (SAU) durante toda a noite, em unidade onde a procura é residual, é mais um exemplo de uma política de saúde assente "em anúncios e na alocação indiscriminada de recursos, em vez de numa gestão responsável e orientada para as necessidades efetivas dos utentes".

Tal como noticiado na edição do DIÁRIO do passado domingo, existem oito
unidades com funcionamento 24 horas por dia. No período entre a meia-noite e as
8 horas, contudo, a procura é extremamente reduzida em várias destas unidades,
chegando a ser praticamente nula no Porto Moniz e de apenas um episódio por
noite em Santana e São Vicente.

Em comunicado, a IL refere que esta sucessão de decisões levanta questões sobre a coerência e o planeamento da
gestão dos serviços de saúde. As decisões sobre o funcionamento dos SAU devem
responder às necessidades concretas da população e aos dados de procura, e não
variar em função do calendário político.

"É preocupante que se possa fechar um serviço quando os números mostram que a
procura é muito baixa e, depois, reabri-lo sem que exista uma alteração
correspondente da procura. Se os números justificavam o encerramento, é preciso
explicar o que mudou entretanto", afirma Gonçalo Maia Camelo.

Os liberais
consideram ainda que a utilização dos recursos humanos e materiais disponíveis
na Saúde deve ser ponderada de forma a garantir uma gestão eficiente e
sustentável dos serviços.

“Cada
médico, cada enfermeiro e cada profissional de saúde que está destacado num
serviço com procura praticamente nula é um profissional que não está disponível
para responder a outras necessidades. Numa Região com desafios concretos na
área da saúde, não podemos aceitar que a resposta seja simplesmente colocar
mais recursos onde eles são menos necessários”, sublinha.

A Iniciativa
Liberal defende, por isso, que o Governo Regional deve divulgar os custos
associados ao funcionamento noturno de cada SAU e apresentar uma avaliação
pública da relação entre os recursos mobilizados e a resposta efetivamente
prestada.

“O dinheiro
público não é infinito e os profissionais de saúde também não. Governar é fazer
escolhas. Se o Governo entende que determinados serviços devem continuar
abertos 24 horas por razões de coesão territorial ou de segurança das
populações, deve explicá-lo e apresentar os custos dessa decisão. O que não
pode fazer é fingir que não existe um problema de eficiência”, conclui.