
A Madeira começa a ganhar espaço no desenvolvimento e
aplicação da Inteligência Artificial (IA), com iniciativas no sector público,
nas escolas e nas empresas, num momento em que esta tecnologia assume uma
presença crescente na economia e na investigação. A avaliação é de Eduardo
Fermé, professor da Universidade da Madeira e presidente da 25.ª Conferência
Portuguesa de Inteligência Artificial, que decorre até sexta-feira no Funchal.
“Existe uma Estratégia Regional de Inteligência Artificial”,
começa por salientar o investigador, lembrando igualmente o projecto lançado na
área da Educação para introduzir esta tecnologia nas escolas. No sector
privado, garante que muitas empresas de desenvolvimento de software já estão a
incorporar IA, havendo mesmo organizações na Região que trabalham nesta área há
cerca de três décadas.
Eduardo Fermé destaca ainda o ‘EmbrAIce.ME’, actualmente sob
responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE), destinado a
promover a utilização da Inteligência Artificial pelas pequenas e médias
empresas.
É neste contexto que a Universidade da Madeira recebe, entre
2 e 4 de Setembro, uma das principais reuniões científicas nacionais dedicadas
à área. A EPIA 2026 realiza-se no Colégio dos Jesuítas e reúne cerca de 115 a
120 participantes provenientes de 28 países, com a apresentação de 60 artigos
científicos. Eduardo Fermé preside à conferência, cuja organização envolve
vários investigadores da UMa.
O encontro abrange praticamente todo o espectro da IA, desde
a investigação fundamental às aplicações na medicina, indústria, transportes,
Direito, Arquitectura e Engenharia, passando pela IA generativa, ética,
sustentabilidade e sistemas centrados no ser humano.
Para Fermé, a realização do encontro permite também mostrar
a capacidade científica portuguesa. “A Inteligência Artificial está viva em
Portugal. Somos poucos, mas somos bons”, afirma, considerando que o País está
bem posicionado internacionalmente ao nível da investigação e das publicações
científicas.
A dimensão da evolução é ilustrada por outro número: só em
dois grandes congressos mundiais realizados este ano terão sido submetidos
cerca de 26 mil artigos. “É impossível” acompanhar toda a produção científica,
reconhece o investigador.

