O vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Raffaele
Fitto, afirmou esta manhã, no Funchal, que pretende criar condições para
“evitar riscos” para a Madeira no próximo quadro financeiro europeu e permitir
que a Região prossiga o seu desenvolvimento. Mas deixou claro que ainda não é
possível saber quanto caberá à Madeira no orçamento comunitário para 2028-2034.

No final de uma reunião à porta fechada com Miguel
Albuquerque e todos os secretários regionais, Fitto explicou que o próximo
Quadro Financeiro Plurianual continua em discussão no Conselho e no Parlamento
Europeu e que será necessário conhecer o montante final do orçamento antes de
determinar as verbas dos planos de parceria nacionais e regionais.

O responsável europeu reconheceu que a Madeira “se
desenvolveu claramente nos últimos anos” e que o crescimento do PIB terá de ser
considerado, mas apontou para um trabalho conjunto com Portugal, Madeira e
Açores no âmbito dos futuros planos. “Penso que podemos criar as condições
necessárias para evitar riscos e dar a oportunidade de estas ilhas continuarem
o seu desenvolvimento”, afirmou.

Fitto salientou também que a importância da Madeira
ultrapassa o turismo e as infra-estruturas, destacando o potencial da Região
nas áreas da defesa, espaço e investigação. Uma dimensão que enquadrou no novo
papel geoestratégico que Bruxelas pretende atribuir às regiões ultraperiféricas
(RUP).

A Comissão adoptou, a 10 de Setembro, uma nova estratégia
para as RUP, reconhecendo a sua importância para a presença global da União
Europeia e propondo adaptações específicas da legislação comunitária.

Miguel Albuquerque aproveitou a reunião para insistir na
necessidade de manter um tratamento diferenciado da Madeira ao abrigo do artigo
349.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

O presidente do Governo Regional lembrou que o crescimento
económico não elimina constrangimentos permanentes como a distância dos grandes
centros europeus, a pequena dimensão do mercado, os custos de transporte de
pessoas e mercadorias e a exiguidade territorial.

“Não são problemas que possam ser resolvidos apenas pelo
crescimento económico”, vincou Albuquerque, defendendo a manutenção de fundos
específicos para as RUP e dos apoios à agricultura, pescas e transportes.

Albuquerque manifestou ainda preocupação com uma eventual
concentração da futura política de coesão nos Estados-membros. A Madeira,
sustentou, deve preservar a ligação directa à Comissão Europeia, que considera
ter sido uma “grande mais-valia” para as regiões ultraperiféricas.