O navio
‘Lobo Marinho’ vai ser submetido a intervenção extraordinária em doca seca. Uma
decisão que surge na sequência da avaria registada a 10 de Setembro, quando o navio navegava em
direcção ao Funchal, nas proximidades do Garajau.

Segundo
o administrador executivo da Porto Santo Line, Carlos Perdigão Santos, após a
avaliação técnica realizada por um especialista da SCHOTTEL Industries —
fabricante alemã e fornecedora do sistema de propulsão (veio propulsor) do Lobo
Marinho—, “foi determinada a necessidade de realizar uma operação relâmpago
através de uma deslocação do navio a um
estaleiro dotado de doca seca, condição necessária para a execução dos
trabalhos com o navio devidamente imobilizado e no menor espaço de tempo”.

Sendo
assim, está prevista a entrada do ‘Lobo Marinho’ nos estaleiros da ASTICAN, em
Las Palmas de Gran Canaria, a 15 de Outubro, sendo que a escolha deste
estaleiro “resulta, designadamente, da sua proximidade geográfica, permitindo
assegurar a resolução do problema com celeridade, reduzindo ao mínimo o período
de indisponibilidade do navio e, consequentemente, o impacto na operação”.

Várias
medidas programadas para minimizar impactos

Esta
imobilização técnica tem consequências. A Porto Santo Line prevê a não
realização das viagens entre os dias 14 e 22 de Outubro, inclusive.

Por
isso, durante o período de indisponibilidade do ‘Lobo Marinho’, e conforme
indicações do Governo Regional da
Madeira, através da Secretaria Regional da Economia, a Porto Santo Line irá
adoptar um conjunto de medidas destinadas a minimizar os impactos da
interrupção do serviço marítimo regular.

Neste âmbito,
será afretado um navio porta-contentores, com o objectivo de assegurar o
abastecimento semanal da ilha do Porto Santo. Do mesmo modo, a Porto Santo Line
irá disponibilizar - gratuitamente - contentores frigoríficos para
armazenamento de produtos frescos no Porto Santo.

Paralelamente,
a Porto Santo Line irá contratar à Binter a disponibilização de 100 lugares por
dia, correspondentes a 50 lugares em cada sentido, mediante disponibilidade,
destinados aos residentes no Porto Santo, à semelhança do procedimento adoptado
durante os períodos de manutenção anual.

Os
passageiros com reservas para o período abrangido pela interrupção poderão
proceder à alteração da data da viagem sem qualquer custo adicional. Será
igualmente disponibilizada a possibilidade de reembolso integral das viagens,
caso os passageiros optem pelo cancelamento das respectivas reservas.

Ponto
assente é que até ao início da intervenção, as ligações marítimas continuarão a
ser realizadas com uma duração aproximada de 3 horas e 15 minutos, “estando
esta operação devidamente autorizada pelas autoridades competentes,
nomeadamente pela Sociedade Classificadora (DNV) e pela Capitania do Porto do
Funchal, garantindo-se todas as condições de segurança necessárias”, esclarece
Carlos Perdigão Santos.

"Tipo de avaria raro e associado a factores externos"

A razão
pela qual esta correcção não pode ser realizada com o navio na Madeira, solução
que foi amplamente estudada, prende-se com a necessidade de o ‘Lobo Marinho’
permanecer completamente imobilizado e em seco durante a intervenção. “Esta
condição é indispensável para garantir a segurança da intervenção e evitar a
deslocação do veio propulsor após o seu desacoplamento, o que poderia
comprometer a estanquidade do sistema”, observa Carlos Perdigão Santos.

O
administrador revela que, segundo a SCHOTTEL Industries, “este tipo de avaria —
o colapso da vara que liga o veio propulsor da máquina de estibordo — é
extremamente raro e associado a factores externos ao normal funcionamento do
navio”. “Não tendo sido identificadas outras anomalias no Lobo Marinho,
admite-se que a avaria tenha sido provocada pelo contacto da hélice com um
elemento externo, como pneus, cabos, remos ou outros objectos, podendo causar
perturbações significativas, incluindo o bloqueio temporário do sistema de
passo e o consequente desequilíbrio do veio e/ou hélices”, sublinha.

Esta
hipótese assume particular relevância tendo em consideração que já foram
registados três eventos com características semelhantes com o ‘Lobo Marinho’,
envolvendo pneus, tendo-se verificado, num desses casos, o entrelaçamento de um
cabo na hélice. Atendendo à posição da máquina, a estibordo, é possível
considerar que estes objectos possam encontrar-se com maior probabilidade junto
ao cais do Funchal, correspondente ao lado de atracação do Lobo Marinho neste
porto. No Porto Santo, pelo contrário, a atracação é efectuada pelo lado
oposto, a bombordo.

Trata-se,
assim, “de uma situação extraordinária, decorrente de uma causa externa e num
componente cuja verificação, segundo o protocolo da Sociedade Classificadora,
apenas estaria prevista para 2028”.

A
intervenção consistirá na substituição integral da peça, garantindo a
fiabilidade da reparação e o enquadramento na garantia do fabricante.

A Porto
Santo Line faz saber que está “a actuar no sentido de assegurar a resolução da
avaria com a máxima celeridade, reduzindo ao mínimo indispensável o período de
indisponibilidade do navio e minimizando o impacto desta situação na operação e
na continuidade do serviço”.