A Apple revelou na quarta-feira passada o seu primeiro telemóvel dobrável, o
iPhone Duo, que marca o início da gestão do novo executivo John Ternus, ao
mesmo tempo que aumentou o preço dos seus modelos iPhone Pro.

"Outros criaram dobráveis que parecem dois telemóveis colados
de forma desajeitada um ao outro", apontou John Ternus num vídeo
pré-gravado ao apresentar o aparelho.

Com o tamanho de um passaporte, desdobra-se para revelar um ecrã
"tão natural e intuitivo como o do iPad".

Apresentado sete anos depois da Samsung, o iPhone Duo, disponível
a partir de 23 de outubro por cerca de 2.000 dólares (1.718 euros), entra num
nicho que representa menos de 2% das vendas globais de smartphones.

No entanto, a Apple deverá captar quase um terço deste mercado
ainda este ano, segundo as previsões da consultora IDC.

O grupo, que está atrasado na área da inteligência artificial
(IA), detalhou ainda o calendário do seu assistente Siri reformulado, mas que
não estará disponível para iPhone na União Europeia no lançamento.

Apresentou também os relógios Apple Watch Series 12 e Ultra 4, bem
como os auscultadores AirPods 5.

Os modelos iPhone 18 Pro e Pro Max foram lançados por 1.199 e
1.299 dólares (1.030 e 1.116 euros), valores 100 dólares superiores aos da
linha 17 à data do seu lançamento.

A Apple, que não apresentou hoje um iPhone 18 padrão, não
justificou este aumento, o primeiro na sua linha principal desde o início da
escassez de chips de memória.

No final de junho, o grupo tinha aumentado os preços dos seus Macs
e iPads, citando o impacto da escassez de componentes provocada pela expansão
da IA, e alertado em julho que os smartphones também iriam sofrer reajustes.

Neste mercado em retração, onde os preços sobem e as entregas
registam uma queda sem precedentes, os telemóveis dobráveis são a única
categoria com previsão de crescimento, graças precisamente à chegada da Apple,
aponta a IDC.

As concorrentes chinesas anteciparam-se e a Huawei apresentou na
segunda-feira o seu Mate XT 2 de três dobras, a partir de 19.999 yuan (2.560
euros), e a Xiaomi, o seu 18 Fold, a partir de 10.999 yuan (1.410 euros).

O grupo de Cupertino afirma ter reduzido a marca da dobra a meio
do ecrã, a principal crítica feita aos dobráveis, e promete uma estrutura em titânio.

O novo assistente Siri AI, apresentado em junho, será lançado em
versão de teste a 14 de setembro em inglês e, posteriormente, em outubro, em
francês, coreano, japonês, espanhol e português.

No entanto, não estará disponível na União Europeia para
telemóveis, tablets e relógios: a Apple trava uma disputa com Bruxelas,
alegando questões de privacidade de dados dos utilizadores para rejeitar a
exigência europeia de abrir os seus dispositivos a assistentes de IA
concorrentes - medida que visa impedir abusos de posição dominante.

Além disso, as funções de IA mais sofisticadas terão limites
diários de utilização, mas "um acesso alargado será oferecido mediante
pagamento no futuro", esclareceu o grupo.

Na sua intervenção inicial, John Ternus destacou extensamente a
proteção de dados, contrastando-a com a visão dos "outros", que os
veem "como algo a ser recolhido e armazenado".