A polícia chinesa anunciou sanções administrativas contra oito
internautas por publicações relacionadas com as cheias que atingiram em agosto
o Nepal e o condado tibetano de Gyirong, incluindo mensagens sobre as causas e
críticas às operações de resgate.

A Polícia da Internet do Tibete divulgou na quinta-feira seis
"casos típicos", no âmbito de uma campanha contra "rumores sobre
catástrofes", envolvendo intervenções de forças policiais do Tibete e de
outras províncias chinesas.

Três pessoas foram punidas por afirmarem na Internet que um sismo
provocou o colapso de um glaciar e as cheias posteriores ou que a catástrofe
foi deliberadamente provocada pelo ser humano, versões que a polícia
classificou como falsas.

Outro internauta foi punido por "distorcer as operações de
resgate", através de comparações com intervenções realizadas noutros
países e da publicação de comentários negativos que, segundo as autoridades,
diminuíam a perceção dos resultados da operação.

A polícia sancionou ainda uma pessoa por divulgar uma alegada
recompensa relacionada com as buscas, e outra por afirmar que todos os
funcionários do posto fronteiriço de Gyirong, completamente destruído pela
catástrofe, morreram e que existiam numerosas vagas para essas funções,
incentivando outros utilizadores a candidatarem-se aos lugares.

Entre os casos figura ainda um utilizador que afirmou que o
Governo recorria a assuntos de caráter vulgar entre as tendências nas redes
sociais para "desviar a atenção pública".

A polícia da província de Guangdong, no sudeste da China,
considerou que a afirmação "distorcia os factos" e perturbava a
orientação da opinião pública.

As medidas agora anunciadas ampliam as intervenções conhecidas
após a catástrofe.

No final de agosto, as autoridades aplicaram uma sanção
administrativa a um internauta por divulgar números de vítimas considerados
falsos e submeteram outro a uma "advertência educativa" por publicar
uma explicação sobre a origem das cheias, que classificaram como incorreta.

Em julho, a Administração do Ciberespaço da China e o Ministério
da Gestão de Emergências ordenaram o reforço do controlo dos conteúdos
relacionados com catástrofes, incluindo números de vítimas não confirmados, imagens
manipuladas e notícias antigas apresentadas como atuais.

A polícia tibetana pediu na quinta-feira aos utilizadores que
tomem como referência "os comunicados oficiais" e advertiu que
perseguirá a divulgação de rumores ou a "distorção" das operações de
emergência.

Durante emergências e catástrofes na China, as autoridades
consideram os organismos oficiais e os órgãos de comunicação estatais as
principais fontes autorizadas de informação, enquanto as plataformas digitais
estão sujeitas a controlos rigorosos sobre rumores, números não verificados e
imagens consideradas enganosas.

O Tibete é uma região autónoma do sudoeste da China sob controlo
de Pequim desde a década de 1950 e cuja situação política, cultural e religiosa
tem sido alvo de críticas de vários países, assim como da União Europeia, das
Nações Unidas e de organizações de defesa dos direitos humanos.

As cheias provocaram no Nepal a recuperação de 1.377 corpos e
restos mortais, permanecendo 5.130 pessoas desaparecidas, enquanto em Gyirong
as autoridades chinesas mantêm o balanço em 43 mortos e 519 desaparecidos.