1. As imagens dos motociclistas a circularem na Via Rápida a velocidades próximas dos 240 km/h chocaram muita gente. Deviam chocar ainda mais pelo que simbolizam: a crescente convicção de que há quem possa fazer tudo sem consequências. Não se trata apenas de excesso de velocidade. Trata-se de uma cultura de irresponsabilidade que vai ganhando espaço e que, demasiadas vezes, termina em tragédia. Como também aconteceu na semana passada, em que um jovem perdeu a vida, num ápice e sem culpa nenhuma.

O delegado regional da Prevenção Rodoviária Portuguesa identificou correctamente, ao DIÁRIO, o essencial: a Madeira enfrenta, antes de mais, um problema cultural. Não basta discutir radares ou agravar coimas se a sociedade continuar a aceitar a criminalidade rodoviária como uma inevitabilidade e as mortes nas estradas como simples estatística.