A DGS divulgou hoje recomendações dirigidas à população e aos
empregadores para uma observação segura do eclipse total do sol na
quarta-feira, com o objetivo de prevenir lesões oculares e reduzir o risco de
acidentes associados ao fenómeno.
As orientações constam de dois guias publicados pela DGS tendo em
conta que o eclipse solar pode "ter impacto na saúde e na segurança da
população se não for observado de forma segura, aumentando a probabilidade de
acidentes e contribuindo para o aparecimento de lesões, sobretudo ao nível da
visão".
"O eclipse total do Sol é um momento único e raro, que pode
ser vivido sem impacto na saúde. Todas as potenciais consequências do eclipse
total do Sol são evitáveis com uma adequada prevenção", salienta.
A autoridade de saúde refere que "o eclipse total do Sol
durará aproximadamente duas horas, com início previsto para as 18:33 e fim às
20:23", refere a autoridade de saúde, sublinhando que "a máxima
ocultação do Sol terá uma duração inferior a meio minuto e ocorrerá às
19:30".
A DGS recorda que nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem
proteção adequada e salienta que óculos de sol comuns, radiografias, vidros
fumados, lentes ou outros materiais improvisados não oferecem proteção
adequada, por não serem capazes de filtrar toda a radiação nociva para os
olhos.
Segundo a autoridade de saúde, a observação do eclipse deve ser
feita exclusivamente com óculos certificados para eclipse solar, em
conformidade com a norma ISO 12312-2 e com marcação CE.
A DGS recomenda ainda cuidados especiais com as crianças,
referindo que os bebés e as crianças pequenas não devem olhar diretamente para
o Sol, mesmo utilizando óculos para eclipse.
As crianças que utilizem óculos certificados devem ser sempre
acompanhadas por um adulto, que confirme a sua correta utilização durante toda
a observação.
Recomenda ainda que, sempre que possível, devem ser privilegiadas
formas indiretas e seguras de observar o eclipse, como transmissões em direto
ou projeções da imagem do Sol.
Para os empregadores, a DGS recomenda que, através dos respetivos
Serviços de Segurança e Saúde do Trabalho ou Serviços de Saúde Ocupacional,
informem os trabalhadores sobre o eclipse solar, os seus potenciais efeitos na
saúde e as medidas preventivas.
Devem adotar medidas que contribuam para reduzir o risco de
acidentes relacionados com a distração provocada pelo fenómeno, alterações
passageiras da visão, nomeadamente durante a condução, e comportamentos de
risco associados à procura de locais de observação.
"Instintivamente, o ser humano não olha diretamente para o
Sol devido ao extremo desconforto ocular que causa. No entanto, durante um
eclipse, com a redução da intensidade da luz solar pela ocultação parcial pela
Lua, torna-se suportável olhar para o Sol durante o tempo suficiente para
causar danos na retina, o que é, por sua vez, estimulado pela
curiosidade", salienta.
Adverte, contudo, que "o tempo de exposição ao Sol necessário
para causar danos na retina é de apenas alguns segundos".
Sublinha que a cegueira pode ocorrer "numa situação extrema e
pode ser irreversível" e que a perda de visão pode não ser imediatamente
aparente.
A observação do fenómeno astronómico também pode ter impacto
psicológico, associado a sentimentos de surpresa, ansiedade ou medo perante as
alterações no ambiente, provocadas por um eclipse solar total.
Entre essas alterações, aponta a redução da luminosidade em pleno
dia, descida local da temperatura, alteração local do vento, redução do ruído
ambiental, fecho precoce das pétalas de flores, sons do despertar imprevisto de
animais noturnos e recolhimento apressado de animais diurnos.
A autoridade de saúde alerta a população de que, caso durante ou
após o eclipse surjam sintomas como visão turva ou distorcida, manchas ou
pontos negros no campo visual, alteração da perceção das cores, diminuição ou
perda súbita da visão ou dor ocular intensa, deve contactar imediatamente a
Linha SNS 24 (808 24 24 24).
