Foram entregues esta sexta-feira,
a todos os corpos de bombeiros da Região, kits de elevação de emergência para operações
de socorro, salvamento e desencarceramento, bem como detectores de gases Hazmat,
num investimento global que rondou os 250 mil euros, verba exclusiva do Orçamento
da Região, através do Serviço Regional de Protecção Civil.
Conforme notou a secretária regional
de Saúde e Protecção Civil estes equipamentos foram adquiridos de forma
uniformizada, permitindo que os diferentes corpos de bombeiros disponham de
material com características semelhantes.
“Não só [vai garantir] que a
formação seja igual para todos os corpos de bombeiros, formação essa dada pelo
Serviço Regional de Protecção Civil, mas também, em situações no teatro de
operações, todos os corpos de bombeiros que tenham que intervir de uma forma
conjunta saibam como utilizar os equipamentos, porque são iguais para todos”,
explicou.

Micaela Freitas, que assistiu a
uma demonstração da capacidade de alguns desses equipamentos, na sede da Protecção
Civil regional, na Cancela, deu conta de que parte do material permitirá substituir
equipamentos que já se encontravam em fim de vida, contribuindo para a
actualização dos meios disponíveis para as operações de socorro na Região.
“Matriz única” no socorro
Interpelado sobre as mais-valias
dos novos equipamentos, o presidente do Conselho Directivo do Serviço Regional
de Protecção Civil apontou a capacitação de todas as corporações regionais para
uma “matriz única de resposta”, com diferentes níveis de capacidade e
especialização distribuídos pelo território, em que assenta o socorro da
Região.
A ideia, disse, passa por
garantir que todos os bombeiros tenham competências elementares, enquanto
determinadas corporações dispõem de equipamentos e meios intermédios ou
avançados para intervenções mais complexas. Richard Marques deu como exemplo o
que já acontece com o modelo utilizado no combate aos incêndios rurais. “Cada
corpo de bombeiros tem uma área de especialidade”, explicou, acrescentando que
determinadas competências devem, contudo, estar disponíveis de forma
transversal.

É o caso do salvamento e
desencarceramento. “Esta é uma capacidade que tem de ser elementar, tem de ser
transversal a todos os corpos de bombeiros da Região”, afirmou.
A partir dessa capacidade de
base, o Serviço Regional de Protecção Civil pretende criar uma rede com
equipamentos diferenciados estrategicamente colocados nas duas ilhas. Richard
Marques explicou que esse “nível intermédio” permitirá reforçar a capacidade de
resposta quando uma ocorrência exigir meios mais pesados.
“Todos os corpos de bombeiros têm
capacidade elementar”, adiantou. Já o nível intermédio está actualmente
disponível nos Bombeiros Mistos da Ribeira Brava e Ponta do Sol, na Companhia
de Bombeiros Sapadores do Funchal, em Machico e no Porto Santo. No caso do
Porto Santo, a opção justifica-se pela condição de isolamento.
Sapadores do Funchal vão
receber nível avançado
O próximo passo passa pela
aquisição de meios correspondentes a um nível avançado para a Companhia de
Bombeiros Sapadores do Funchal.
Richard Marques explicou que,
dentro da matriz integrada definida pelo Serviço Regional de Protecção Civil,
caberá aos sapadores do Funchal concentrar um conjunto de capacidades de
especialidade, nomeadamente elevações de emergência, busca e resgate em estruturas
colapsadas e resgate em valas.
A organização pretende, desta
forma, evitar uma dispersão dos meios altamente especializados e garantir que,
perante uma ocorrência de maior complexidade, seja possível mobilizar
rapidamente a equipa com a capacidade adequada.

Detectores de gases em todos
os corpos
Entre os equipamentos entregues
esta sexta-feira encontram-se também detectores de gases, destinados a reforçar
a segurança das equipas na primeira abordagem a ocorrências potencialmente
perigosas.
Richard Marques explicou que
estes equipamentos permitem às equipas perceber, logo à chegada ao local, se
estão perante uma área contaminada e quais os cuidados necessários para a
intervenção.
A detecção de gases constitui,
assim, uma competência transversal, enquanto outras capacidades de maior
especialização serão concentradas em determinados corpos de bombeiros.
Machico e Santa Cruz especializados
em matérias perigosas
No domínio das matérias
perigosas, o modelo prevê ainda uma especialização de Machico e Santa Cruz.
Estas corporações deverão desenvolver capacidades quer ao nível das equipas de
reconhecimento e avaliação da situação, quer da futura equipa de intervenção.
O objectivo é que, perante uma
ocorrência, os primeiros meios consigam assegurar uma resposta imediata e,
quando necessário, possam ser rapidamente reforçados por equipas dotadas de
competências e equipamentos específicos para operações de maior complexidade.
Resposta integrada
A demonstração das potencialidades
dos novos equipamentos ficou a cargo de José Minas, comandante da Companhia de
Bombeiros Sapadores do Funchal e coordenador da área técnica de Salvamento e
Desencarceramento do Centro de Formação do SRPC, que deu conta de que o sistema
resulta de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos e assenta
numa resposta integrada, com kits elementares, intermédios e avançados
distribuídos pelos corpos de bombeiros.
Na ocasião, destacou que o
investimento permite substituir almofadas de elevação que já se encontravam em
fim de vida por equipamentos com uma vida útil estimada de 30 anos.
Durante a demonstração, José
Minas explicou que as novas almofadas de alta pressão podem atingir capacidades
de elevação de até 60 toneladas, embora a sua utilização efectiva dependa da
forma e da superfície de contacto. O equipamento intermédio, por sua vez,
inclui uma almofada capaz de elevar até 40 toneladas, sendo este o tipo de
equipamento que, segundo o responsável, poderá ser utilizado em operações de
desencarceramento de autocarros. Sublinhou também que, antes de qualquer
elevação, a estrutura tem de ser devidamente estabilizada, garantindo a
segurança dos bombeiros que trabalham no local.

