O pedido de reabertura da actividade do Boavista foi deferido pelo
tribunal, anunciou hoje o clube portuense, auxiliado nas últimas semanas pelo
movimento 'Salvar o Boavista' na angariação da verba necessária para o reinício
dos 'axadrezados'.
"Esta decisão constitui uma notícia que recebemos com
satisfação e que representa um passo importante no caminho que o Boavista tem
vindo a percorrer. A direção encontra-se já a trabalhar em articulação com a
administradora de insolvência, com o objetivo de definir, com a maior brevidade
possível, os procedimentos necessários à reabertura e as condições de
funcionamento", informaram as 'panteras', em comunicado.
Em 15 de Julho, a administradora de insolvência, Maria Clarisse
Barros, revelou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim do mês, após
falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba
destinada às despesas correntes de junho, estimadas em 48.580 euros, numa
decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades.
Desde então, o movimento 'Salvar o Boavista' angariou mais de
90.000 euros na tentativa de evitar o encerramento do clube, fundado em 1903 e
detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de
Benfica, FC Porto e Sporting, tendo a direção 'axadrezada' apresentado um
requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora judicial e
poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa.
"O clube encara esta nova etapa com responsabilidade,
serenidade e determinação, consciente de que este é um processo que exige
rigor, cooperação e o contributo de todos", prosseguiu o Boavista, grato a
quem contribuiu para a reabertura da atividade e mostrou "compromisso e
apoio".
De acordo com o despacho do Tribunal de Comércio de Vila Nova de
Gaia, ao qual a agência Lusa teve acesso, os 'axadrezados' foram autorizados a
recomeçar a atividade, desde que as suas despesas mensais correntes sejam
asseguradas com regularidade até ao fim da época 2026/27.
O Boavista deve ainda depositar, até ao dia 08, o montante
estimado para as despesas de cada mês e comprová-lo até dia 10, além de juntar
um relatório financeiro simplificado demonstrativo da angariação de donativos e
receitas correntes.
O incumprimento dessa condição, com o consequente acumular de
novas dívidas sobre a massa insolvente, implicará a cessação imediata da
autorização concedida pelo tribunal, ficando Maria Clarisse Barros mandatada
para "proceder ao novo encerramento do estabelecimento, sem necessidade de
prévia audição da devedora ou de nova ordem judicial".
"O Boavista continuará a trabalhar com sentido de
responsabilidade e união, procurando criar as condições necessárias para
retomar a atividade e continuar a honrar a sua história, valores e
identidade", terminou o clube.
Os 'axadrezados' submeteram no tribunal um plano de recuperação em
14 de julho, um dia antes do anúncio do encerramento da atividade, e filiaram-se
na Associação de Futebol (AF) do Porto para 2026/27, sem saberem em que
escalões podem competir.
O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025,
após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses
depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade,
comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.
O clube detém 10% do capital social da Boavista SAD, que viu a
respetiva liquidação ratificada em maio e também está a trabalhar num novo
plano de recuperação, após ficar sem equipa profissional e ser relegada
administrativamente para os escalões distritais, devido a problemas
financeiros.
Ao descer pela via desportiva à II Liga em maio de 2025, a
Boavista SAD encerrou uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão
principal, no qual se tornou um dos cinco campeões nacionais da história do
futebol português em 2000/01.
