As vagas intermédias serão uma das respostas às
altas problemáticas, serão organizadas primeiro 20 nesta fase num edifício já
existente, uma resposta que está a ser tratada com urgência, sendo que há ainda outras oito de uma instituição particular de solidariedade social para além destas que poderão chegar ainda no decorrer desta semana. A secretária regional de Inclusão, Trabalho e
Juventude prefere não se comprometer com datas, revelando que há um
empenho para que sejam o mais rápido possível e aponta o pior cenário para três a quatro semanas para essas duas dezenas que serão criadas num edifício
que sofrerá pequenas adaptações.
Estas vagas intermédias destinam-se a receber os doentes que estão presentemente
a ocupar camas no Hospital Dr. Nélio Mendonça sem necessidade de tratamento
médico, a governante não revela qual é o prédio nem qual a instituição que
ficará com essa gestão. A par disto, diariamente está a ser trabalhado com a Secretaria
Regional de Saúde e Protecção Civil respostas ao domicílio, no sentido de
libertar camas para internar as 53 pessoas que esta manhã aguardavam por vaga no
Serviço de Urgência.
Paula Margarido anunciou ainda que estão a ser preparadas alterações ao Estatuto do Cuidador
Informal para ir ao encontro das pessoas e não coloca de parte a possibilidade de no futuro as
famílias poderem receber para ficar em casa com os seus familiares idosos que
necessitem de cuidados. Mas não é para já. O estatuto do Cuidador Informal
também será melhorado.
A vaga intermédia foi criada na lei e a
portaria 157/2026 de 1 de Abril será reformulada, em princípio será publicada ainda
esta semana, para que nas estruturas residenciais para idosos e em
outros edifícios adaptados possam ser incluídas temporariamente pessoas que
estão com alta clínica e que não têm alta social, ou seja, que não necessitam
de cuidados médicos de um hospital, mas cujas famílias não têm respostas para
os acolher em casa.
Enquanto não recebe o valor do Instituto de Gestão
Financeira da Segurança Social, o Governo vai avançar com o financiamento destas
respostas até ao final do ano. Mas Paula Margarido acredita que as vagas em instituições não pode ser o único caminho.
“Esta problemática das altas clínicas não é
somente com uma resposta de vaga intermédia em lar, é efectivamente com o
fortalecimento das respostas no domicílio”, sublinha a secretária. “O Social, a
Saúde, o Governo Regional está aqui de braços dados para fazer face a uma
resposta que já vem, que já se exige de algum tempo mas que conheceu agora um
número astronomicamente superior. E nós temos que perceber todos que, efectivamente,
isto das altas clínicas não se resolve, como eu já disse apenas com as vagas em
lares”, reforçou esta tarde Paula Margarido, recordando os programas disponíveis
para ajudar a cuidar em casa.
“Portanto, é dinheiro. E temos que pensar,
seriamente, se de facto esta verba que aqui é canalizada para as instituições,
se de facto não é também um modo de utilizar para apoio no domicílio. Mas isso
é uma matéria que depois temos que acomodar mais tarde porque isso exige também
outros pareceres”, referiu, abrindo a porta a que essa verba possa ir para as famílias.
Em termos de respostas, Paula Margarido disse que o Governo tem três edifícios em estudo. “Vamos continuar à procura daqueles que efectivamente
exijam menos adaptações para a resposta que se pretende, portanto o Inatel é
uma resposta, a escola da Ponta do Pargo também é uma resposta e depois temos
uma terceira que é uma instituição, que é uma IPSS e que também tem um espaço
que nós tentaríamos reconverter com maior brevidade para fazer face à
necessidade destas vagas intermédias”.
Paula Margarido referiu ainda que está prevista
a reprogramação do Madeira 2030 para acomodar um financiamento para as
respostas no domicílio, para que as instituições possam concorrer.
“Se pensarmos só em lares, então não
conseguiremos, nem aqui nem em lado nenhum do mundo fazer face à situação das
altas clínicas”, confessou, reforçando a necessidade de um melhor apoio para
que as famílias possam ficar com os seus idosos e num comunicação mais célere
para acelerar os processos.

