O projecto artístico ‘breezingSILENCE’, dos artistas Yola Pinto e
Marco Santos, estreia domingo, 5 de Julho, às 22 horas, nos exteriores do Mudas
- Museu de Arte Contemporânea da Madeira, na Calheta. A apresentação assinala o
culminar da residência artística que decorre actualmente na Madeira e convida o
público a participar numa experiência multidisciplinar que cruza performance,
imagem, som e paisagem. A iniciativa tem acesso livre.
Desenvolvido em contexto de residência artística, o projecto
propõe uma reflexão sobre o silêncio enquanto espaço de escuta, contemplação e
relação com o território. Partindo da singularidade da paisagem madeirense e da
sua dimensão insular, os artistas exploram a interacção entre corpo, memória e
natureza, criando uma obra concebida especificamente para o espaço exterior do
Mudas.
Ao longo das últimas semanas, Yola Pinto e Marco Santos têm
desenvolvido um processo de investigação e criação artística em contacto
directo com a realidade local, recolhendo referências, experiências e elementos
visuais que agora convergem numa apresentação de carácter imersivo. A proposta
procura transformar o espaço museológico numa extensão da paisagem e a paisagem
num elemento integrante da obra, desafiando as fronteiras tradicionais entre
palco, público e território.
A escolha do Mudas como local de apresentação insere-se numa
estratégia de valorização dos equipamentos culturais da Região enquanto espaços
de experimentação e de acolhimento de diferentes linguagens artísticas. Mais do
que locais dedicados à preservação e exposição de obras, os museus são hoje
entendidos como plataformas de criação, encontro e diálogo entre artistas e
comunidades.
O projecto conta com o apoio da Secretaria Regional de Turismo,
Ambiente e Cultura (SRTAC), através da Direcção Regional da Cultura (DRC). Para
o secretário regional, Eduardo Jesus, as residências artísticas desempenham um
papel fundamental no fortalecimento do ecossistema cultural da Região.
“As residências artísticas constituem uma ferramenta essencial
para apoiar a criação contemporânea, permitindo que os artistas desenvolvam os
seus projectos em estreita relação com o território e com as comunidades. São
oportunidades de investigação, experimentação e produção que enriquecem a
oferta cultural da Região e contribuem para a afirmação da Madeira como um
espaço de criação artística”, refere Eduardo Jesus.
O governante destaca ainda a importância de promover uma
utilização mais ampla e dinâmica dos espaços museológicos. “É fundamental que
os nossos museus estejam abertos a diferentes expressões artísticas e a novas
formas de criação. Ao acolher projectos de natureza multidisciplinar, como o
‘breezingSILENCE’, o Mudas reforça a sua vocação como espaço vivo de cultura, capaz
de gerar novas experiências para os públicos e de criar pontes entre a arte
contemporânea, o património e a comunidade”.
A apresentação de domingo representa o momento final de um
processo criativo desenvolvido em residência, mas também uma oportunidade para
o público contactar com uma proposta artística contemporânea que privilegia a
experiência sensorial, a relação com a paisagem e a reflexão sobre o silêncio
enquanto elemento poético e transformador.
Com entrada livre, a estreia de ‘breezingSILENCE’ terá lugar às 22
horas, nos exteriores do Mudas, prometendo uma noite em que arte, território e
comunidade se encontram num diálogo aberto com a paisagem da costa oeste da
Madeira.
Este texto foi elaborado pelo estagiário Marco Baeta Sousa, sob a supervisão do editor-executivo João Filipe Pestana
