A Direcção
Regional de Estatística da Madeira (DREM) divulgou esta quarta-feira as
estatísticas do rendimento relativas ao ano de 2024, elaboradas com base em
dados fiscais anonimizados fornecidos pela Autoridade Tributária e Aduaneira no
âmbito de um protocolo com o Instituto Nacional de Estatística. Os números
confirmam uma evolução positiva do rendimento na Região, embora acompanhada por
um ligeiro agravamento da desigualdade na distribuição da riqueza.

Segundo
o estudo, foram contabilizados na Região Autónoma da Madeira, em 2024, 135.890
agregados fiscais e 182.777 sujeitos passivos, valores que representam
crescimentos de 3,7% e 3,2%, respectivamente, face ao ano anterior, acima das
variações registadas no conjunto do país, que foram de 2,6% e 2,3%.

O
rendimento bruto declarado na Madeira somou cerca de 3.097,2 milhões de euros,
mais 11,3% do que em 2023, o que corresponde a um valor médio de 22.792 euros
por agregado fiscal, contra os 21.237 euros do ano precedente. Já a mediana do
rendimento bruto declarado por agregado fiscal fixou-se nos 15.279 euros, um
aumento de 6,5%, superior ao verificado a nível nacional (+6,2%).

Quando
se considera o rendimento bruto declarado já deduzido do IRS liquidado, o total
ascendeu a 2.842,3 milhões de euros na Região, um crescimento de 12,5% que
superou também a média nacional (+11,2%). Por agregado fiscal, este indicador
situou-se numa mediana de 14.857 euros, praticamente em linha com o valor
nacional, de 14.886 euros.

A
análise por sujeito passivo, e comparando as nove regiões NUTS II do país,
coloca a Madeira na terceira posição na mediana do rendimento bruto declarado
deduzido do IRS liquidado, com 12.626 euros. O ranking é liderado pela Grande
Lisboa, destacada das restantes com 13.820 euros, seguida da Península de
Setúbal (13.284 euros). Logo atrás da Madeira surge a Região Autónoma dos
Açores, com 12.565 euros. Todas estas regiões se situam acima da mediana
nacional, de 12.316 euros. No extremo oposto, o Norte regista o valor mais
baixo (11.766 euros), seguido do Algarve (11.836 euros), Alentejo (12.022
euros), Oeste e Vale do Tejo (12.115 euros) e Centro (12.250 euros).

Quanto
à desigualdade na distribuição do rendimento, medida pelo coeficiente de Gini, que
varia entre 0%, numa situação de perfeita igualdade, e 100%, no caso de
concentração total do rendimento num único sujeito passivo, a Madeira registou
em 2024 um valor de 35,9%, ligeiramente acima dos 35,6% apurados para o país, e
também acima do valor de 2023, traduzindo um aumento de 0,1 pontos percentuais.
Entre as regiões com menor desigualdade encontram-se o Alentejo (32,2%), o
Oeste e Vale do Tejo (32,6%) e o Centro (33,1%), enquanto o Algarve, a
Península de Setúbal e o Norte apresentam todos um coeficiente de 34,8%. Acima
da média nacional posicionam-se a Grande Lisboa, com o valor mais elevado
(38,9%), a Região Autónoma dos Açores (36,6%) e a própria Madeira.

O
estudo da DREM desce ainda ao detalhe das freguesias, com destaque para o
concelho do Funchal. Das dez freguesias do município, seis apresentam medianas
de rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado superiores à do
concelho, que é de 13.559 euros. Santa Luzia lidera esta tabela, com 14.636
euros, seguida de São Martinho (14.454 euros), Sé (14.361 euros) e São Pedro
(14.121 euros), todas acima do patamar dos 14.000 euros. Em posições
intermédias surgem Imaculado Coração de Maria (13.720 euros), Santa Maria Maior
(13.709 euros), São Gonçalo (13.154 euros) e São Roque (13.023 euros). No
extremo inferior da tabela ficam Santo António (12.883 euros) e o Monte (12.835
euros), as únicas duas freguesias do Funchal abaixo dos 13.000 euros.

Ainda
ao nível das freguesias, o coeficiente de Gini revela a Sé como a que apresenta
maior desigualdade na distribuição do rendimento, com 41,6%, enquanto Santo
António surge como a freguesia com menor desigualdade, com um coeficiente de
33,8%.