O partido Reagir considera que a inauguração do Complexo Social de Santa Clara está longe de resolver a falta de vagas em lares na Madeira, lembrando que continuam entre 1.200 e 1.250 pessoas em lista de espera para uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI).
O movimento sustenta que, das 85 camas do novo equipamento, apenas 20 correspondem a vagas sociais, enquanto 15 serão destinadas a doentes com alta clínica hospitalar que aguardam colocação noutra resposta social. Na sua perspectiva, esta realidade demonstra que as chamadas altas problemáticas resultam da insuficiência da rede de respostas sociais.
"Durante
meses, o Governo Regional respondeu às altas problemáticas com anúncios e
medidas pontuais. Hoje volta a apresentar mais uma solução avulsa, quando
aquilo de que a Madeira verdadeiramente necessita é de uma estratégia integrada
que responda, em simultâneo, às altas problemáticas, às listas de espera nos lares
e ao envelhecimento crescente da população", refere em nota enviada.
Em comunicado, o Reagir questiona ainda de que forma o Governo Regional pretende reduzir a lista de espera existente quando apenas 20 camas têm carácter social, defendendo que a Região necessita de uma estratégia integrada para responder simultaneamente às altas problemáticas, às listas de espera nos lares e ao envelhecimento da população. "Se
15 camas ficam imediatamente destinadas às altas hospitalares e apenas 20 são
vagas sociais, como pretende o Governo reduzir uma lista de espera superior a
1.200 pessoas?"
Critica igualmente as declarações do provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, que considerou "justas" mensalidades entre 1.250 e 5.000 euros, e questiona se um equipamento construído com 13,3 milhões de euros de financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) cumpre plenamente a sua missão social quando apenas 20 das 85 camas são vagas sociais.
"Mais
do que discutir se estes valores são "justos", importa perguntar se
são compatíveis com a missão social de uma instituição como é a Santa Casa da
Misericórdia. A
solidariedade não pode transformar-se num serviço acessível apenas a quem
dispõe de elevados recursos financeiros, enquanto centenas de idosos continuam
sem resposta e milhares de famílias vivem diariamente na angústia de não
encontrar uma vaga", entende.
No comunicado refere, ainda, que o Governo Regional continua a inaugurar edifícios e a anunciar que "ninguém ficará sem vaga por falta de dinheiro", contudo, afirma, a realidade é outra. "Continuam mais de 1.200 madeirenses à espera de uma vaga em lar. Continuam os hospitais confrontados diariamente com altas problemáticas. Continuam centenas de famílias sem resposta para os seus idosos."
O REAGIR defende o reforço da rede de lares, do apoio domiciliário, das unidades de convalescença e dos cuidados continuados, considerando que a resposta ao envelhecimento da população exige planeamento e soluções estruturais, em vez de medidas avulsas.
"Os
madeirenses esperam soluções, não anúncios. Esperam respostas, não propaganda.
Porque governar não é inaugurar edifícios; é garantir que nenhum idoso fica sem
os cuidados de que necessita quando mais precisa", remata.

