O Madeira Amateur Dramatic
Society (MADS) dispõe, a partir de agora, de uma sede. Depois de 32 anos de
existência, esta associação ligada às artes da representação, primeiro sobretudo
em inglês e mais recentemente em português, passa a contar com um espaço
próprio, cedido pelo Governo Regional, situado no Centro Cívico de Animação e
Cultura Edmundo Bettencourt, na Rua Latino Coelho, no centro do Funchal.

Esta primeira sede oficial é
considerada pelos responsáveis do MADS um marco na sua história de mais de três
décadas, tendo a sua inauguração acontecido estar tarde, com a presença do presidente
do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque. O momento representa o concretizar
de uma ambição antiga e abre novas possibilidades para o trabalho desenvolvido
pelo grupo de teatro.

“É o reconhecimento de um
trabalho de mais de 30 anos que o MADS vem realizando, sempre procurando
melhorar, sempre procurando aprimorar o seu trabalho”, afirmou o presidente da
associação, Eduardo Gaspar, sublinhando que a nova sede constitui “uma
conquista e uma alegria muito grande”. “É um espaço que nos toca muito o
coração e estamos muito felizes que a Direcção Regional da Cultura nos tenha
cedido esse espaço”, acrescentou.

A nova sede servirá, numa
primeira fase, para guardar figurinos, adereços e elementos cénicos acumulados
ao longo da história da companhia, além de acolher as primeiras leituras dos
textos dos novos espetáculos. "As leituras iniciais conseguimos fazer aqui e
queremos ainda dinamizá-lo de alguma maneira, mas ainda agora estamos
inaugurando. Agora é festa e depois vamos pensar realmente o que vamos fazer
daqui para a frente”, explicou.

Miguel Albuquerque chegou a propor a realização de uma exposição que dê a conhecer o historial do MADS ao longo de 32 anos de história. 
Miguel Albuquerque chegou a propor a realização de uma exposição que dê a conhecer o historial do MADS ao longo de 32 anos de história., Foto ML

O espaço guarda diversos objectos
utilizados em produções anteriores, que Eduardo Gaspar encara como parte do
património da associação. “Aquela cama já foi utilizada em três espetáculos que
nós fizemos e ela não está ali por acaso, faz parte da história do MADS”,
exemplificou, referindo ainda mobiliário criado especificamente para
determinadas encenações e que agora ganha uma nova utilidade na preparação dos
actores.

Actualmente, o grupo integra
cerca de 15 actores, número que vai sendo reforçado através de castings
realizados para cada nova produção. Segundo o presidente, é frequente receber
contactos de pessoas interessadas em fazer teatro.

“Sempre acolhemos as pessoas e
gostamos que venham. Para nós é sempre muito positivo, novas pessoas, novas
experiências, é muito gratificante”, afirmou, lembrando que o recente
espetáculo ‘Os Maias’ obrigou ao recrutamento de novos intérpretes para algumas
personagens. “A Madeira tem muita arte, muita gente fazendo arte”, apressou-se
a apontar.

Depois da adaptação de ‘Os Maias’,
que esteve em cena este mês, o MADS já prepara a habitual produção natalícia,
que deverá subir ao palco do Centro de Congressos da Madeira na primeira semana
de Dezembro, embora o tema ainda não seja divulgado.

A associação mantém o objectivo
de apresentar duas produções por ano, apesar das limitações financeiras. “É
sempre muito complicado, porque o dinheiro nunca dá. Algumas ideias acabam por
não ser realizadas, geralmente por questões de orçamento, mas vamos fazendo, e
vamos fazendo cada vez mais”, reconheceu Eduardo Gaspar.

O financiamento resulta sobretudo
dos apoios atribuídos pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura,
através da Direcção Regional da Cultura, na sequência das candidaturas anuais
apresentadas pela associação. Este ano, o MADS contou ainda com um apoio da
Câmara Municipal do Funchal, no âmbito do programa de apoio ao associativismo,
para a produção de ‘Os Maias’.

Cada espetáculo representa cerca
de seis meses de trabalho, desde a adaptação ou escrita do texto até à estreia.
No caso de ‘Os Maias’, Eduardo Gaspar revelou ter dedicado três meses à
adaptação da obra de Eça de Queiroz, seguindo-se cerca de dois meses de ensaios
e a fase de produção.

Questionado sobre o percurso da
associação, fundada na comunidade britânica da Madeira e inicialmente dedicada
à apresentação de peças em inglês, o presidente explicou que a realidade
evoluiu. Hoje, a maioria das produções é apresentada em português, sem excluir
projectos bilingues quando o contexto artístico o justifica.

Embora reconheça a existência de
obstáculos ao longo de um percurso de 32 anos, no dia da inauguração da nova
sede, Eduardo Gaspar preferiu destacar o momento de celebração vivido pela
associação. “Hoje particularmente eu vejo só alegria, não vejo dificuldades.
Elas existem sempre e sempre existirão, mas a gente procura fazer com muita
responsabilidade, principalmente ao público, que é quem merece o nosso respeito
e toda a nossa dedicação”, concluiu.