O ‘Dicionário Enciclopédico da
Madeira’ ganhou, esta quinta-feira, mais dois volumes, apresentados no âmbito
do Fórum Madeira Global. O coordenador da obra, José Eduardo Franco, destacou o
projecto como uma referência para o conhecimento da Região, classificando-o
como uma “obra-monumento” que resulta de duas décadas de investigação e da
colaboração de mais de 500 investigadores de vários países.
Segundo José Eduardo Franco, trata-se
de um projecto “de longa duração, feito em lume brando e também contra corrente”,
numa época dominada pela rapidez da informação e pela inteligência artificial. “É
importante fazer projectos de conhecimento profundo, que estabilizem e façam o
ponto de situação daquilo que é o conhecimento sobre a Madeira”, afirmou,
defendendo que a enciclopédia se tornará uma marca da actual geração e uma
referência para o futuro.

O investigador explicou que a
obra pretende mostrar como a Madeira construiu a sua identidade ao longo de
seis séculos através da relação com o mundo. “A Madeira não criou uma herança
cultural fechada, mas uma herança cultural aberta, capaz de se relacionar com
toda a humanidade”, disse, acrescentando que os novos volumes evidenciam essa
dimensão global, com entradas dedicadas a figuras como Winston Churchill e
Cristóvão Colombo, entre outras personalidades ligadas à história da Região.
José Eduardo Franco recordou que o
projecto prevê um total de dez volumes e adiantou que o quarto deverá ficar
preparado ainda este ano. Contudo, alertou que a conclusão da colecção
dependerá da continuidade do apoio governamental. “É preciso que haja
continuação de vontade política para levá-la até ao fim”, afirmou, lamentando
ainda os atrasos provocados pela pandemia, pela instabilidade política e pela
burocracia, que classificou como um “verdadeiro flagelo” para projectos desta
dimensão.
Também João Paulo Oliveira e
Costa, professor catedrático do departamento de História da NOVA, a quem coube
a apresentar estes novos volumes, fez questão de realçar o carácter “monumental”
deste Dicionário, destacando o mérito de ser editada em papel.
O investigador considerou que tal
representa um património duradouro e defendeu que “todas as comunidades
madeirenses deviam ter” a colecção, por funcionar como “um laço que une melhor
todos os madeirenses à sua identidade”.
Para João Paulo Oliveira, um dos
grandes méritos da obra reside na forma como aborda os diferentes temas a
partir da perspectiva da Madeira. “O grande mérito desta enciclopédia é que
mantém viva a identidade dos madeirenses”, afirmou, exemplificando que assuntos
como o ‘Atlântico’ ou a ‘Austrália’ são apresentados na sua relação com a
Região e com a diáspora madeirense.
Na sua opinião, trata-se de “uma
obra de referência, feita por madeirenses, para madeirenses”, sendo “indispensável”
para compreender a história, a identidade e a realidade da Região Autónoma da
Madeira.

