A comunidade madeirense na
Venezuela continua a tentar recuperar da tragédia provocada pelo recente duplo sismo,
que aconteceu há um mês, num processo marcado pela solidariedade entre
famílias, amigos e instituições. O conselheiro da Comunidade Madeirense na
Venezuela, Aleixo Vieira, considera que, apesar do desafio da reconstrução
física, a prioridade neste momento passa, também, pela recuperação emocional
das populações afectadas.
“A comunidade tenta superar todos
os dias aquele desastre”, afirmou, explicando que a fase actual é de
reencontros familiares, apoio mútuo e conforto entre as pessoas atingidas. “Como
estamos tão bem integrados com os venezuelanos, é uma tragédia vivida em
conjunto”, referiu aos jornalistas, à margem do Fórum Madeira Global,
destacando também o papel das instituições portuguesas no apoio prestado no
terreno.
Sobre a nova missão portuguesa
anunciada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas para Setembro
ou Outubro, destinada a apoiar a reconstrução do país, Aleixo Vieira mostrou
satisfação. “Sentimos muito orgulho de tudo aquilo que foi feito por Portugal”,
disse, recordando o envio de equipas de busca e salvamento, ajuda humanitária e
as deslocações de responsáveis portugueses à Venezuela. Na sua opinião, a
continuidade deste apoio “traz muita confiança aos portugueses que lá vivem,
para lá ficarem e continuarem a acreditar no país”.
O conselheiro considera que a
reconstrução será “desafiante”, mas sublinha que, neste momento, a principal
preocupação é ajudar as pessoas a ultrapassarem o trauma. “As pessoas perderam
amigos, perderam familiares e vivem constantemente com o receio de novas
réplicas. Qualquer barulho ainda desperta esse medo”, afirmou.
Questionado sobre um eventual
regresso de madeirenses e portugueses a Portugal, Aleixo Vieira rejeitou essa
possibilidade como uma tendência significativa. “No terreno não noto essa parte”,
garantiu. Segundo explicou, a comunidade portuguesa na Venezuela está habituada
a enfrentar adversidades e tem demonstrado grande resiliência ao longo dos
anos. “Este é mais um desafio, desta vez provocado pela natureza. Aquele país
também é o nosso país”, frisou.
Aleixo Vieira alertou ainda para a situação dos feridos e
dos desalojados, temas que, na sua opinião, têm recebido menos atenção do que o
número de vítimas mortais. Explicou que muitos hospitais da zona afetada
sofreram danos significativos, condicionando a resposta inicial, mas destacou a
rápida chegada de equipas médicas internacionais e a instalação de hospitais de
campanha, que permitiram melhorar o apoio às vítimas. Acrescentou que centenas
de famílias continuam sem habitação, depois de cerca de 800 edifícios terem
ficado danificados, embora considere que as necessidades básicas da população
estejam a ser asseguradas graças à resposta das autoridades venezuelanas e da
ajuda internacional, incluindo a prestada pela Embaixada de Portugal e pelos
consulados portugueses em Caracas e Valência.

