O partido Chega (CH) aproveitou este domingo a sessão solene
evocativa dos 50 anos da instalação da Assembleia Legislativa da Madeira para
defender que a Autonomia deve ser devolvida aos cidadãos, acusando o atual
sistema político regional de promover o clientelismo, a excessiva carga fiscal
e o afastamento das instituições em relação à população.

Na intervenção proferida no hemiciclo, o novo líder regional do CH e também líder parlamentar na ALRAM, Hugo Nunes, considerou que o cinquentenário da Assembleia representa "o direito que os
madeirenses conquistaram de decidir o seu próprio destino", mas sustentou que,
meio século depois, o parlamento regional "parece cada vez mais distante da
vida real das pessoas".

O orador afirmou que a Autonomia "não foi pensada para
criar uma nova casta, nem para substituir o centralismo de Lisboa por um centralismo
local", defendendo que muitos madeirenses continuam a sentir-se excluídos caso
não tenham ligação ao "partido do regime".

Entre as principais críticas, o CH apontou a
emigração de jovens qualificados, a manutenção de uma "carga fiscal pesadíssima" e a existência de alegados privilégios associados ao acesso a cargos públicos e
oportunidades económicas.

O partido rejeitou ainda a ideia de que questionar o
funcionamento das instituições autonómicas constitua um ataque à Autonomia. "Atacar a Autonomia é confundi-la com os interesses de um partido ou com a
sobrevivência de um Governo", afirmou.

Na mesma intervenção, Hugo Nunes defendeu um reforço dos
mecanismos de fiscalização da Assembleia Legislativa, insistindo na necessidade
de maior transparência na gestão dos recursos públicos e de um combate mais
eficaz ao clientelismo e à corrupção.

"O dinheiro público é sagrado", sustentou o orador,
acrescentando que verbas utilizadas em "cargos desnecessários e clientelas
políticas" deveriam ser canalizadas para áreas como a saúde, a habitação e o
apoio aos sectores produtivos.

A concluir, o líder madeirense do CH afirmou que a Região necessita de uma "nova era de
seriedade, de união e de coragem", defendendo que o atual ciclo político está "a chegar ao fim" e apelando a uma renovação do projecto autonómico, cinquenta
anos após a criação do parlamento madeirense.