O líder regional e parlamentar do Chega, Hugo Nunes, denunciou hoje publicamente uma "manobra de
semântica política" por parte do PSD durante a reunião da 5.ª Comissão
Especializada Permanente de Saúde e Protecção Civil. Em causa está a "alteração
cirúrgica" do título de uma iniciativa parlamentar.

A comissão reuniu-se esta quarta-feira,
pelas 13 horas, tendo na ordem de trabalhos a análise e votação do requerimento
de uma audição parlamentar. A proposta original, da autoria do JPP, pretendia
realizar uma 'Audição sobre a problemática das altas clínicas e dos
constrangimentos que provocam no funcionamento do Hospital Dr. Nélio
Mendonça'. No entanto, "o PSD impôs uma alteração directa ao nome da
audição, substituindo a palavra 'problemática' por 'situação'".

Para o líder do Chega, esta modificação
não é um mero detalhe burocrático, mas sim uma tentativa deliberada de controlo
de narrativa para proteger o Governo Regional.

"O PSD tenta branquear a realidade porque
tem medo de chamar os bois pelos nomes", acusa Hugo Nunes. "Trocar
'problemática' por 'situação' no nome da audição é um insulto aos doentes e aos
profissionais de saúde que enfrentam diariamente os constrangimentos severos no
Hospital Dr. Nélio Mendonça. O que ali se vive é um problema grave e crónico,
não uma mera 'situação' passageira de rotina. Esta alteração do nome demonstra
o pânico do regime em enfrentar o escrutínio público", frisou.

O líder do partido acrescenta ainda que o PSD-Madeira demonstrou "mais uma manobra de claro compadrio e blindagem" ao não permitir que fossem chamadas a depor as secretarias regionais da Saúde e
da Inclusão Social. Para Hugo Nunes, "este bloqueio é a prova inequívoca de que
o PSD quer afastar do debate os verdadeiros decisores e responsáveis políticos
pela tutela, impedindo que as secretárias prestem esclarecimentos sobre a
gritante falta de articulação entre as altas médicas e as respostas sociais que
deixam os hospitais sobrecarregados", assim como não quiseram ouvir nem os
utentes e os cuidadores informais.

O Chega sublinha que os factos são
claros. "O requerimento original focava-se especificamente nos 'constrangimentos' gerados pelas altas clínicas no funcionamento do
hospital. Ao suavizar a linguagem no título da iniciativa aprovada, o PSD tenta
passar uma imagem de normalidade onde ela manifestamente não existe".

Hugo Nunes garante que, apesar destas "manobras de diversão semântica" na comissão parlamentar convocada pela presidente Joana Silva, "o CHEGA continuará intransigente na fiscalização do
setor da saúde e não abdicará de exigir responsabilidades políticas reais pela
degradação dos serviços públicos na Região Autónoma da Madeira".