Os jovens portugueses procuram cada vez
mais fontes de rendimento adicionais. Actualmente, 74% já têm ou ponderam ter um segundo rendimento,
através de um segundo emprego ou de um projecto paralelo.

Esta é uma
das principais conclusões do mais recente estudo
Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas
Personal Finance, numa análise sobre o 'Consumo
Jovem' que aponta que 40% dos
portugueses entre os 18 e os 35 anos já conciliam a sua actividade
principal com um rendimento extra, enquanto 34% admitem fazê-lo no futuro.

O rendimento médio mensal dos jovens
inquiridos é de 1.489 euros, um valor que consideram insuficiente, com 41% a fazer uma avaliação negativa do seu poder de
compra (respostas 1 a 4 numa escala de 1 a 10) e 33% a afirmar precisar de apoio financeiro
para manter o actual estilo de vida. Neste contexto, metade dos jovens prevê reduzir o consumo, sendo que um terço pretende adiar compras não
essenciais e 26% procurar alternativas
mais económicas.

Esta contenção financeira leva a que mais de
metade (55%) dos jovens tenham projectos que gostariam de
concretizar, mas para os quais não dispõe de orçamento. Segundo o estudo 'Intenções de Consumo 2026', lançado
este ano pelo Observador Cetelem, esses projectos passam, sobretudo, por viajar (47%), comprar casa (30%) e realizar obras
ou renovações (25%).
Para os concretizar, 38% admitem recorrer ao
apoio financeiro de familiares e 49% consideram contratar um crédito
junto de um banco ou instituição financeira.

A habitação continua a
representar uma das maiores fatias do orçamento: 37% dos jovens vivem em
casa própria (23% com empréstimo), 26% vivem em casa arrendada e 30%
permanecem em casa de familiares. Para metade dos inquiridos, os encargos
com a habitação representam até 30% do rendimento mensal, enquanto cerca
de um 1 em 3 destina destinam entre 31% e 50% dos seus rendimentos ao
pagamento da prestação ou da renda. A estes custos somam-se outras despesas
fixas (como água, eletricidade, gás ou supermercado), que absorvem outros 30%
do orçamento de metade dos jovens inquiridos.

O consumo dos jovens concentra-se sobretudo na saúde (35%), restauração
(34%) e vestuário (30%),
padrões semelhantes ao observado nas restantes faixas etárias. Ainda assim,
esta geração dá maior prioridade ao bem-estar,
destacando-se as viagens (23%), as subscrições digitais (21%) e o desporto (20%).

O estudo mostra também que 65% dos jovens
tendem a gastar mais do que o planeado em actividades de lazer. Entre
os principais factores de influência de consumo destacam-se as promoções (53%),
as recomendações de família e amigos (39%) e redes sociais (25%), sendo que no
global 89% reconhecem ser influenciados.

As limitações orçamentais estendem-se à mobilidade.
Embora 70% dos jovens possuam automóvel,
73% destes afirmam ajustar os seus hábitos face ao aumento dos preços dos combustíveis. As
principais mudanças passam pela redução das
deslocações (52%) e por uma maior priorização
dos transportes públicos (17%). A pensar no longo prazo, 67% ponderam adquirir um veículo eclétrico,
com o preço (42%) e o custo dos combustíveis (35%) entre os
factores que poderiam influenciar esta decisão.

Apesar deste contexto, os jovens conseguem fazer face ao cenário económico
atual. Cerca de 78% afirmam conseguir poupar,
destinando, em média, 15% do rendimento mensal
à poupança. Os principais objectivos passam por preparar a reforma (24%), criar um fundo de emergência (23%) e comprar casa (13%). Entre os 70% dos jovens que detêm produtos financeiros,
os depósitos (40%) continuam a ser
a opção mais comum, mas os ETFs (23%)
e as criptomoedas (18%) ganham
terreno. Já nas gerações com mais de 35 anos, o investimento privilegia depósitos tradicionais (44%), Planos de Poupança Reforma (29%) e Certificados de Aforro (25%).