O Torneio Inter-Municípios –
Escalão de Iniciados vai ser remodelado a partir da próxima edição com
possibilidade de incluir uma selecção de fora. Esta edição de 2026 conta com 14
equipas de dez concelhos. O Porto Santo ficou de fora do evento, que decorre a partir
da próxima quarta-feira, até sábado em vários recintos da Região. Na
apresentação, que decorreu esta manhã no Funchal, houve um apelo à participação
dos pais, mas também um alerta para a necessidade de bom comportamento por
parte destes. Na próximo época a Associação de Futebol vai trabalhar esta vertente com uma psicóloga.

Organizado pela Associação de
Futebol da Madeira (AFM) em parceria com a Associação de Municípios da Região
Autónoma da Madeira (AMRAM), o Torneio Inter-Municípios é “a maior montra do
futebol de formação” na Região e constitui “uma oportunidade de ouro” para os
jovens sub-14 vestirem a camisola do seu concelho, e lutarem por um lugar na
selecção, frisou o presidente da AFM. É uma preparação para a competição
nacional Torneio Lopes da Silva 2027, em que a Região se fará representar, referiu
Rui Coelho.

Em competição já a partir desta
quarta-feira vão estar 14 equipas de futebol de onze, cada uma com 18 jogadores,
duas do Funchal, exepcionalmente duas de Câmara de Lobos, a Selecção Norte, que
junta Santana, Porto Moniz e São Vicente, e uma ainda de cada um dos outros
municípios, excepto Porto Santo, que este ano não participa. O presidente da AFM
disse que é por razões alheias à organização, mas não sabe quais. “Não sei
dizer”, respondeu. Garantiu que a AFM está a trabalhar para que regresse em
2027 à competição.

Esta 12.ª edição, que decorre de 15
a 18 de Julho, inclui 27 jogos, as equipas foram distribuídas por duas séries,
na ‘A’ vão competir as selecções Funchal 2, Câmara de Lobos 1, Ribeira Brava,
Calheta e Ponta do Sol. Na série ‘B’ competem Funchal 1, Câmara de Lobos 2, Machico,
Santa Cruz e Norte. As meias-finais são a 17, a final a 18. A cerimónia de
abertura realiza-se no dia 15 às 16h30 no Estádio Municipal de Machico, a final
será no Estádio de Câmara de Lobos, o concelho venceu o torneio no ano passado.

Rui Coelho apelou à participação dos
pais e aos adeptos, convidando a “apoiar o futuro” do futebol, a “próxima
geração de jovens futebolistas e jovens campeões”.

Já o director de serviços na Direccão Regional do Desporto,
além de destacar a abrangência do torneio do dar aos jovens atletas a “responsabilidade,
privilégio e prazer” de representar a selecção do seu concelho, e
simultaneamente a possibilidade de integrarem as selecções regional e
eventualmente nacional, a competição coloca lado a lado atletas que
eventualmente eram adversários. Permite “que o trabalho de qualidade se evidencie,
que o nível competitivo aumente, mas também dá a possibilidade dos mesmos
atletas de diferentes clubes poderem usufruir de um momento privilegiado para
interagir com adversários que passam a ser colegas e, obviamente, vai trazer
frutos em futuras competições, criar ambientes favoráveis, positivos, ou ainda
mais ambientes favoráveis e positivos”, acredita Juan Gonçalves. O director de serviços na Direccão Regional do Desporto fez votos para que a competição decorra com fair-play e respeito
“dentro e fora de campo”, acrescentando que se não houver respeito entre os
agentes desportivos, será difícil de controlar os comportamentos externos.

Juan Gonçalves não quis no
entanto alarmar, lembrou que os comportamentos “desviantes que se encontram nas
bancadas” são em número residual, comparado com o número de competições nas
várias modalidades.

Rui Coelho, por seu lado, garante
que nunca vai afastar os pais dos recintos, ao contrário do que já fazem alguns
clubes. “Nós não queremos proibir e comigo como Presidente da Associação nós
nunca vamos proibir a entrada dos pais”, declarou. Mas frisou que nestes escalões
de formação é importante deixar os treinadores trabalhar, treinar as crianças.
O carinho que os pais têm e que se traduzem em intervenções no trabalho em
campo acabam, diz, por vezes por prejudicar a criança. “Eu acho que todos os
pais devem estar presentes na vida dos seus filhos e apoiar. E há muita forma
de apoiar e nós vamos continuar a trabalhar nesses aspectos”. Rui Coelho
avançou que na próxima época vão trabalhar tudo o que esteja relacionado com a
participação dos pais nos jogos de futebol de formação com uma psicóloga.

Jorge Carvalho, presidente da AMRAM,
deixou o repto para a mudança à estrutura do Torneio, não porque esteja mal,
mas porque acredita, é possível fazer melhor. “Pudesse ter algo de diferente,
pudesse ter um figurino diferente, pudesse ter um formato que, não desvirtuando
aquilo que é o princípio, mas possamos ter aqui efetivamente algo mais
consistente, algo mais substancial e, acima de tudo, em prol da
intermunicipalidade e em prol da competição, neste caso particular, do desporto
e do futebol”, disse, apontando já para a 13.ª edição.

O actual presidente da Câmara do
Funchal espera ainda que a edição de 2027,porque nesta já não vai a tempo, reflita
os 50 anos das primeiras eleições autárquicas na Madeira, tendo em conta a
importância das câmaras e juntas de freguesia para as populações e
particularmente a importância que têm e tiveram para o desenvolvimento do desporto
na Madeira.

Nos projectos associativos, onde
se inclui o Torneio Inter-Municípios – Escalão de Iniciados, o Governo investe mais
de um milhão de euros por ano, revelou o governante. Este torneio tem um
orçamento de cinco mil euros.

Sobre a remodelação do torneio,
Rui Coelho disse que ainda vão estudar o tema, mas avançou que a ideia é
reformular todo o torneio para alimentar as selecções. “Há que criar estes
torneios e melhorá-los substancialmente para depois dar uma resposta e lutarmos
ao mais alto nível”, defendeu. Apontou como possibilidade abrir o torneio ao
exterior. “Até agora foram 12 torneios com algum sentido de formação, mas vamos
pensar agora junto com o gabinete técnico o que é que se pode alterar e
aumentar e vamos ver se nos próprios torneios podemos trazer, por exemplo, uma
seleção de fora para também podermos competir com alguém de fora. É muito
importante”, declarou.