Um Campeonato do Mundo deveria servir para consagrar a melhor equipa do planeta. Simples. Noventa minutos, acrescidos das compensações devidas, feitos de onze contra onze, de talento, estratégia, emoção e verdade desportiva. E tudo o resto, que é muito, deveria ser acessório.

Mas este Mundial deixou no ar uma sensação desconfortável, pois não raras vezes o futebol foi apenas um reles detalhe numa versão competitiva alargada a 48 selecções, também ela discutível.

As interrupções obrigatórias para hidratação, compreensíveis quando justificadas por temperaturas extremas, transformaram-se num ritual previsível, quase coreografado, aproveitado para multiplicar exposição comercial, reorganizar transmissões televisivas e criar mais um espaço de activação de patrocinadores. O jogo pára. A publicidade continua. E quase ninguém bebe água. A fronteira entre a necessidade fisiológica, a recomendação médica e a oportunidade comercial tornou-se demasiado ténue.