No dia em que se assinala o Dia da
Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, o ADN Madeira "lamenta
profundamente que, perante uma tragédia humana da dimensão que assolou a
Venezuela, a Madeira tenha sido impedida pelo Governo da República de ajudar".
"Dezoito operacionais madeirenses, bombeiros e um médico da EMIR, estiveram
prontos em menos de vinte e quatro horas. Equipados com formação avançada em
busca e resgate em estruturas colapsadas, alguns treinados na Academia de
Bombeiros do Chile. Uma força autossuficiente, preparada para doze dias de
missão. Ficaram em terra", refere em nota à imprensa.
"Não por falta de capacidade. Não por falta de vontade. Ficaram em terra porque
a decisão nunca esteve nas mãos da Madeira. Coube a Lisboa decidir quem parte e
quem fica, mesmo quando os que ficam são os que estão prontos primeiro", acrescenta.
Diz ainda que "o próprio presidente do Serviço Regional de Protecção Civil da Madeira foi
claro: "Não nos cabe a nós decidir a projecção." Eis, em oito
palavras, o retrato exacto da autonomia que temos: uma Região com meios, com
gente qualificada, com capacidade de resposta imediata e sem poder de decisão
sobre o seu próprio contributo. O Governo Regional viu-se reduzido a insistir junto das autoridades nacionais
por um terceiro voo. A implorar um lugar numa missão para a qual a Madeira já
estava pronta. Esta não é uma falha pontual. É o retrato estrutural de uma
autonomia que existe no papel e desaparece precisamente nos momentos em que
mais deveria valer".
Afirma também que "se a autonomia regional não serve para a Madeira decidir como e quando ajudar
quando tem meios para o fazer, então é uma autonomia vazia". O ADN defende que "as Regiões Autónomas devem ter capacidade de decisão directa na mobilização dos
seus próprios meios de protecção civil em missões internacionais, sem
dependerem de uma autorização de Lisboa que pode chegar tarde ou não chegar".
"Entretanto, a vida humana continua a ser a prioridade absoluta. Toda a ajuda
que possa chegar às populações da Venezuela deve chegar, sem obstáculos, em
conformidade com o Direito Internacional Humanitário. E o povo venezuelano deve
poder decidir livremente o seu futuro, através de eleições livres,
transparentes e reconhecidas pela comunidade internacional", sustenta.
Mas, conforme diz, "a esperança de quem sofre não pode depender da boa vontade de quem decide
longe. Isso vale para a Venezuela. E vale também para a Madeira".

