"Não venho a esta tribuna para fazer fretes políticos, para ler discursos ensaiados ou para dourar a pílula a quem governa". Foi desta forma que o novo líder regional do Chega, Hugo Nunes, anunciou a mensagem que preparou para a sessão comemorativa do Dia da Região que decorre esta manhã na Assembleia Legislativa da Madeira.
Foi uma intervenção marcada por uma crítica directa ao Governo
Regional, acusando-o de ter criado "um sistema baseado no amiguismo e no
privilégio" que "asfixia a iniciativa das pessoas e premeia a
proximidade ao partido em vez do mérito", e de ter tornado a governação
"distante e insensível às dificuldades das famílias".
Hugo Nunes centrou a intervenção nos problemas
do quotidiano que, afirmou, encontra "ao caminhar pelas nossas freguesias,
ruas e veredas". Identificou três problemas principais: a persistência de
taxas de pobreza elevadas a par do enriquecimento de "uma minoria
privilegiada que orbita em redor do poder"; a carga fiscal sobre famílias
e pequeno comércio, em contraste com os "benefícios para os grandes grupos
económicos do costume"; e o aumento do número de pessoas e famílias sem
habitação condigna na capital, sem resposta social "humana, rápida e
eficaz".
O deputado do Chega defendeu uma governação transparente, com o
dinheiro público a ser investido "na saúde, na habitação e no apoio
social, e não em compadrios", e uma Madeira "onde o talento e o
trabalho valham mais do que as influências políticas". Dirigiu o discurso à classe média, aos jovens casais sem acesso a habitação e aos
pais que veem os filhos emigrar "não por falta de amor à ilha, mas por
falta de oportunidades de emprego justas e transparentes".
Sobre a Autonomia, Hugo Nunes afirmou que não é
"propriedade privada de um partido", não é "um escudo para
proteger um governo" e não serve "para alimentar vaidades de quem se
julga intocável", tendo sido "conquistada pelo povo da Madeira e do
Porto Santo" e devendo servir esse povo. Criticou o que classificou como o
uso da Autonomia como "mera peça decorativa".
O deputado dedicou também uma passagem ao Porto Santo,
afirmando que a dupla insularidade "não pode continuar a ser uma desculpa
para o esquecimento" e que a ilha exige "igualdade de oportunidades
na saúde, nas ligações e no investimento público ao longo de todo o ano",
e não apenas atenção no Verão.
Sobre a Venezuela, Hugo Nunes deixou uma palavra de
solidariedade à comunidade luso-venezuelana, tanto aos que "resistem
naquele país" como aos que regressaram, e afirmou que o Dia da Região tem
"o dever de os celebrar, acolher e proteger com celeridade, sem falsas
promessas".

