O mercado
imobiliário português dá sinais de crescente ajustamento entre vendedores e
compradores. De acordo com uma análise do idealista, a percentagem de imóveis
anunciados para venda que registaram reduções de preço subiu de 6% no primeiro
trimestre de 2025 para 8% no mesmo período de 2026, a nível nacional, sendo que
a Madeira fica abaixo da média, inclusive o Funchal, embora ambos os critérios
tenha havido um aumento deste ajustamento de expectativas por parte dos
vendedores.

A Madeira
revela-se, neste contexto, um dos territórios mais resilientes do país, importa
frisar. Na análise do portal idealista, a ilha registou uma subida moderada de
5% para 6% no Funchal e de 5% para 7% em termos globais do mercado madeirense,
ficando em ambos os casos abaixo da média nacional de 8%. O Funchal partilha
inclusive a posição de capital de distrito/região autónoma com menor incidência
de descidas a par de Guarda, Porto e Vila Real, todas com 6%.

A nível
distrital e regional, a Madeira situa-se num patamar intermédio, com 7% dos
anúncios a registar reduções de preço, ao lado de Braga, Leiria e Viseu. Bem
diferente é a situação de São Miguel, que com 11% de anúncios com descidas
lidera o ranking insular e se equipara aos distritos mais pressionados do
continente.

No panorama
nacional, Évora e Ponta Delgada lideram o ranking das capitais de distrito e
regiões autónomas com maior proporção de anúncios com descidas de preço, ambas
com 12%. Logo a seguir surgem Santarém e Faro (11%), Beja e Lisboa (10%), e
Portalegre e Setúbal (9%).

A evolução
anual mais expressiva verificou-se precisamente em Ponta Delgada, que duplicou
a percentagem de imóveis com descidas, de 6% para 12%, e em Évora (de 7% para
12%) e Faro (de 6% para 11%).

Em sentido
contrário, algumas capitais registaram uma diminuição da percentagem de
anúncios com descidas de preço, com Leiria (de 7% para 5%), Castelo Branco (de
9% para 8%) e Viana do Castelo (de 5% para 4%) a destacarem-se do outro lado do
mercado.

Para Ruben
Marques, porta-voz do idealista, os dados reflectem uma mudança de postura por
parte dos proprietários. "O aumento da percentagem de anúncios com
reduções de preço sugere que o mercado pode estar a entrar numa fase de maior
ajustamento entre as expectativas dos vendedores e a capacidade de compra das
famílias. Apesar de os preços da habitação se manterem próximos de máximos
históricos, aumenta o número de proprietários dispostos a rever os valores
pedidos para acelerar a concretização dos negócios", justifica.

No caso da
Madeira, os números apontam a que a pressão sobre os vendedores é, ainda,
relativamente contida face ao resto do país, o que pode indicar tanto uma maior
solidez da procura na ilha como uma resistência dos proprietários a baixar as
suas expectativas num mercado que continua a atrair investimento nacional e
estrangeiro.

Recorde-se
que os dados divulgados ontem pela DREM apontam para um mercado em
significativa quebra, nomeadamente de imóveis novos, em detrimento dos usados.
Inclusive uma redução importante no montante dos negócios concretizados, notícia essa que faz manchete hoje no DIÁRIO.