Micaela Freitas confirmou, esta
manhã, na Casa de Saúde São João de Deus, no Trapiche, que o Serviço de Saúde
da Região (SESARAM) recebeu, ontem, ao final do dia, por email, o pedido de
escusa de 65 enfermeiros do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Dr. Nélio
Mendonça.
A secretária regional de Saúde e
Protecção Civil argumentou com a contratação de 114 novos profissionais no
último ano e com o facto de a Madeira ter um rácio acima da OCDE.
"É preciso que se tenha
muito claro que a Região tem o maior rácio de enfermeiros do País, superior à
média da OCDE. Só entre 2025 e 2026 já contratámos 114 enfermeiros",
afirmou Micaela Freitas, acrescentando que desde 2015 entraram cerca de 600
profissionais, tendo saído aproximadamente uma centena.
Relativamente à Unidade de
Medicina Intensiva, a secretária regional de Saúde e Protecção Civil garantiu
que actualmente existem mais enfermeiros do que no final de 2025 e que também
se registou uma redução das horas extraordinárias realizadas neste serviço no
ano corrente em relação ao ano passado.
“Os passos estão a ser dados, as
condições para fazermos um bom trabalho estão reunidas”, sustentou, garantindo
que “os madeirenses e porto-santenses têm o melhor sistema de saúde que se pode
desejar e o melhor sistema de saúde do País”, afirmou a governante, apontando
que “estão asseguradas as condições para que esses serviços sejam prestados com
maior qualidade”, sustentou.
Sobre a escusa de
responsabilidade, considerou tratar-se de “uma figura que os profissionais são
livres de adoptar”, insistindo, contudo, que “os números falam por si”.
Também Miguel Albuquerque se
apressou a defender, esta terça-feira, a gestão que está a ser feita do Serviço
Regional de Saúde. O presidente do Governo Regional reafirmou que a Região
continua a reforçar os recursos humanos na área da enfermagem e rejeitou a
ideia de que exista falta de profissionais.
Confrontado com o facto de alguns
enfermeiros realizarem entre 700 e 800 horas extraordinárias por ano,
Albuquerque atribuiu essa realidade à redução do horário semanal para 35 horas,
medida que, segundo afirmou, reduziu em cerca de 20% a capacidade de resposta
do sistema público de saúde.
“O sistema não é de borla. Os
custos estão sempre a subir”, afirmou, lembrando que só as horas
extraordinárias nas urgências representaram cerca de 10 milhões de euros no
último ano. Defendeu, por isso, a necessidade de garantir a sustentabilidade
financeira do Serviço Regional de Saúde, através do controlo da despesa, da
eliminação de desperdícios e da continuação do investimento em tecnologia e na
contratação de profissionais.
O presidente acrescentou ainda
que o Governo continuará a contratar enfermeiros, incluindo especialistas, mas
advertiu que esse processo será feito “com ponderação e bom senso”, de acordo
com a disponibilidade financeira do sistema. “Compreendo as reivindicações dos
funcionários, mas tenho de gerir um sistema que custa imenso dinheiro e que tem
de ser sustentável do ponto de vista financeiro”, concluiu.

