Quando a Madeira entrou na era da Autonomia, os protagonistas mais visíveis estavam nos governos, nos partidos e nos parlamentos. Eram eles que protagonizavam os debates, faziam discursos e disputavam o rumo político da Região. Mas, por detrás dessa transformação, existiam também figuras cuja importância resultava precisamente da capacidade de garantir que um sistema inteiramente novo pudesse funcionar. Entre elas, poucas tiveram um papel tão singular como Lino Dias Miguel.

Foi o primeiro Ministro da República para a Região Autónoma da Madeira. O cargo desapareceria anos mais tarde, substituído pela figura do Representante da República, mas nos anos inaugurais da Autonomia assumia uma relevância muito superior. Tratava-se de uma função criada para servir de elo entre os órgãos de soberania nacionais e os novos órgãos de governo próprio das regiões autónomas, num período em que ainda não existia experiência acumulada nem precedentes que permitissem antecipar todas as dificuldades que inevitavelmente surgiriam.