
A CDU esteve hoje no Mercado do Santo da
Serra para defender a criação de uma estratégia regional orientada para a
soberania alimentar da Região Autónoma da Madeira.
Na ocasião, o dirigente da CDU, Ricardo
Lume, alertou para “a falta de estratégias e medidas concretas para combater o
abandono das atividades agrícolas e agropecuárias e para incentivar a produção
regional de bens alimentares essenciais”, considerando que esta realidade
assume “cada vez maior relevância no atual quadro internacional e nacional,
deixando os cidadãos mais vulneráveis num domínio essencial da vida”.
Ricardo Lume sublinhou que o défice na
produção de bens alimentares é consequência “das gravosas opções políticas de
sucessivos governos e da sua submissão aos interesses impostos através da União
Europeia”, agravado ainda “pelo brutal aumento dos custos dos fatores de
produção”, situação que se traduz na redução da superfície cultivada de
cereais, batata e hortícolas.
Em nota à imprensa, a CDU considera que "a insuficiente
capacidade interna para suprir as necessidades alimentares da população deixa o
País e a Região sem mecanismos eficazes para combater a especulação dos preços
dos alimentos, penalizando fortemente os rendimentos das famílias".
“Uma região que não assume como
prioridade a produção primária para assegurar, em níveis razoáveis, a
satisfação das necessidades alimentares das populações é uma região onde está
em causa a sua própria soberania”, afirmou.
Perante a actual situação da produção
agroalimentar, a CDU defende "a adopção urgente de medidas que permitam inverter
a dependência externa, através do investimento no conhecimento, na valorização
de espécies autóctones adaptadas às condições da Região, aos desafios das
alterações climáticas e às exigências de uma produção sustentável".
A CDU considera igualmente fundamental
preservar os solos mais produtivos para a prática agrícola, contribuindo para
melhorar os níveis de autoaprovisionamento alimentar da Região.
Neste contexto, Ricardo Lume anunciou que
a CDU defende "a elaboração de um Programa Plurianual para a Soberania
Alimentar, bem como a realização dos estudos e inventários necessários para
caracterizar o potencial produtivo regional e definir prioridades estratégicas
para o setor agrícola e agroalimentar".

