As responsáveis por duas escolas de formação da Madeira e dos
Açores reconheceram, na Grande Conferência do Mar, organizada pelo Jornal
Economia do Mar, que decorreu esta tarde no Funchal, que os jovens
interessam-se pouco pelos cursos da área marítima, apesar da vocação e do
potencial de Portugal nesse domínio.

Ana Rodrigues, da Escola do Mar dos Açores, descreveu que
uma das vicissitudes que a instituição tem enfrentado é “a falta de escolha do
mar enquanto área de futuro”. “Ainda há um caminho por fazer. As escolas do mar
são vistas como uma segunda escolha, apesar de termos um país marítimo. O mar
ainda é um desconhecido. Há miúdos que ainda não sabem nadar”, referiu a
conferencista, que defendeu que Portugal deve apostar num plano estruturado sobre
aquilo que pretende fazer com o seu mar.

Raquel Patrocínio, do Instituto Profissional de Transportes
e Logística (IPTL) da Madeira, falou no mesmo problema que a conferencista açoriana:
“A verdade é que os miúdos não se interessam pela área do mar. A maioria procuram
os cursos de técnicos de desporto e mecatrónica automóvel. Quando chegam a nós,
aos 15 anos, eles não fazem ideia das oportunidades do mar”. No entanto,
apresentou outra dificuldade que estas instituições enfrentam, que é a falta de
formadores. O IPTL, por exemplo, já esteve certificado para ministrar o curso
de nadador-salvador, que até tem procura, mas perdeu essa certificação porque
não há formadores disponíveis. Raquel Patrocínio aproveitou para deixar um
alerta para a necessidade de actualização
do catálogo de cursos ligados ao mar, pois no actual catálogo “tecnologia, automação
e robótica isso não existe”.

João Canning Clode (Mare Madeira/Arditi). Foto Helder Santos/Aspress
João Canning Clode (Mare Madeira/Arditi). Foto Helder Santos/Aspress

A intervir no mesmo painel, João Canning Clode (Mare
Madeira/ARDITI) considerou que é possível cativar os jovens para o mundo do mar
e dos imensos pedidos de informações que teve por parte de adolescentes depois
de ter feito acções de divulgação sobre investigação marinha no ensino
secundário. “Eu pensava que não havia consciência ambiental e enganei-me muito”,
confessou, acrescentando que alguns desses alunos estão hoje a concluir cursos
e a ganhar prémios internacionais. O mesmo investigador voltou a apresentar a
sua ideia para uma Academia Azul no Lazareto e defendeu a produção de
tecnologia de baixo custo para que proporcionar a “democratização das ciências
do mar” e permita que os países menos ricos também possam monitorizar e
produzir dados nas suas áreas marinhas.

No mesmo painel dedicado ao tema 'O Mar e o Desafios às Novas Gerações' e moderado por Gonçalo Magalhães Collaço, falou também o Professor jubilado da Universidade Nova Armando Marques Guedes.