Ricardo Jorge Amaral Bessa, da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (GNR), defendeu que a afirmação de Portugal no Atlântico assenta na sua posição de centralidade estratégica e na capacidade de garantir vigilância e controlo sobre um vasto espaço marítimo, onde as regiões autónomas desempenham um papel operacional relevante.

A intervenção integrou o segundo painel do segundo dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Economia do Mar, no Funchal, subordinado ao tema ‘Afirmação de Portugal no Atlântico’.

O responsável sublinhou que os arquipélagos devem ser entendidos como “postos avançados de vigilância”, fundamentais para a monitorização do espaço marítimo sob jurisdição nacional.

“Estas regiões não são apenas territórios e, falando aqui sobre a vigilância, no fundo são postos avançados de vigilância que Portugal tem de assegurar”, afirmou.

Ricardo Jorge Amaral Bessa destacou ainda a necessidade de uma abordagem integrada do território nacional, que articule terra e mar numa lógica de continuidade, rejeitando leituras fragmentadas da fronteira.

Nesse sentido, sublinhou que a fronteira marítima deve ser entendida como bidirecional, exigindo atenção tanto às ameaças provenientes do mar como aos movimentos que se projetam de terra para o oceano.

“Temos de nos preocupar não só com as ameaças que vêm do mar, como o narcotráfico, mas também com todos os movimentos que vão de terra para o mar”, referiu.

O representante da GNR alertou também para a importância crescente das infraestruturas críticas nacionais, com destaque para os cabos submarinos, sublinhando o seu carácter transnacional e a sua relevância para a conectividade global.

Defendeu a necessidade de reforçar a proteção destas infraestruturas, apontando o papel das forças de segurança na sua monitorização, nomeadamente através da atuação da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras.

“Temos também de nos preocupar com as infraestruturas críticas nacionais, como a questão dos cabos submarinos”, afirmou, referindo ainda os pontos de amarração como zonas particularmente sensíveis.