Miguel Albuquerque considera que as recentes declarações do Presidente da República sobre a necessidade de rever o modelo de financiamento das regiões autónomas vão ao encontro de uma reivindicação antiga da Madeira e dos Açores. O presidente do Governo Regional entende que a nova realidade geopolítica e estratégica do Atlântico reforça a necessidade de um maior investimento do Estado nas regiões insulares.
"O discurso do Presidente da República relativamente a esta matéria foi muito claro", afirmou, à margem da XI Grande Conferência Economia do Mar, que decorre hoje e amanhã no Funchal, referindo-se à intervenção de António José Seguro, ontem, nas comemorações do Dia de Portugal, nos Açores. Segundo o líder do executivo madeirense, a crescente importância estratégica do Atlântico exige que o País preserve e valorize os seus recursos marítimos e territoriais.
Albuquerque alertou para o facto de a União Europeia continuar excessivamente focada nas ameaças terrestres decorrentes da guerra na Ucrânia, esquecendo muitas vezes a dimensão atlântica da segurança europeia. "A verdade é que hoje em dia as ameaças são globais e o Atlântico neste momento é central", sustentou, defendendo mais investimento em infraestruturas, monitorização marítima e protecção dos cabos submarinos localizados na Madeira e nos Açores.
Questionado sobre a exclusão inicial dos arquipélagos de um programa europeu destinado às regiões costeiras, o presidente do Governo Regional mostrou-se confiante numa solução alternativa. "Vamos ter um programa específico para isso", afirmou, defendendo que a Madeira e os Açores devem ser reconhecidos não apenas pelas suas especificidades geográficas, mas também pelo seu papel estratégico para Portugal e para a Europa.

