O vereador independente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Afonso Freitas, no âmbito do
Dia da Criança, relembra "a memória esquecida da Escola Primária Superior do Funchal
(1919–1926), instalada na Rua
dos Aranhas, em São Pedro, como exemplo maior de um projecto educativo da
Primeira República que procurou transformar o ensino e aproximá-lo da realidade
social e do mundo do trabalho".
"No
Dia da Criança, é habitual falar do futuro, das políticas de apoio à infância e
dos desafios da educação contemporânea. No entanto, esta data deve também
servir para olhar para o percurso histórico da educação, sem o qual não é
possível compreender plenamente o presente", diz em nota à imprensa.
É
neste contexto que o vereador Independente da Câmara Municipal do Funchal,
Jorge Afonso Freitas, "relembra esta instituição histórica, criada com o
objectivo de oferecer um ensino intermédio entre o primário e o liceal,
combinando formação geral com preparação técnica e social, num período marcado
por profundas transformações políticas e educativas".
Diz que "a Escola Primária Superior do Funchal representou uma tentativa de democratização
do acesso ao conhecimento, permitindo a jovens, muitas vezes oriundos de
contextos sociais mais modestos, uma formação mais alargada".
Contudo, afirma, "a sua existência foi curta e marcada por fragilidades estruturais. Entre 1922 e
1926, a escola formou apenas 63 alunos, revelando um
percurso de consolidação difícil e progressivamente enfraquecido".
E prossegue: "Um
dos dados mais significativos desta experiência educativa é a expressiva
presença feminina. Dos 63 alunos que concluíram o curso, 56 eram mulheres e apenas 7 eram homens".
"Já
na primeira turma, em 1922, esta tendência era evidente: 27 finalistas, dos
quais 26 eram do sexo feminino. Este facto reflecte não apenas as dinâmicas
sociais da época, mas também o papel que este tipo de ensino desempenhava na
formação e inserção das mulheres no sistema educativo e profissional", acrescenta.
Diz ainda que "a extinção da Escola Primária Superior do Funchal, em 1926, não pode ser
entendida apenas como uma decisão administrativa. Ela traduz também as
limitações de um modelo educativo que, apesar da sua ambição reformadora, não
conseguiu assegurar estabilidade, continuidade e condições materiais adequadas".
"A
ausência de consolidação das componentes técnicas e a instabilidade legislativa
contribuíram para o seu progressivo enfraquecimento", acrescenta.
No
Dia da Criança, o vereador Independente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge
Afonso Freitas, sublinha que"a educação não pode ser dissociada da memória
histórica". "A Escola Primária Superior do Funchal permanece como um exemplo de
uma experiência educativa relevante, mas hoje pouco presente no espaço público
e na consciência colectiva", sustenta.
No seu entender", "relembrar
esta escola é também refletir sobre o papel da educação na construção da
sociedade e sobre a importância de políticas consistentes que garantam
continuidade aos projetos educativos".
E afirma: "A
educação actual é profundamente diferente daquela que marcou o início do século
XX. É mais inclusiva, mais estruturada e com maiores recursos e acesso
generalizado. Ainda assim, esta evolução não elimina a necessidade de olhar
para trás".
Pelo
contrário, diz "a história da Escola Primária Superior do Funchal mostra que a
ambição educativa, quando não é acompanhada de estabilidade, planeamento e
visão de longo prazo, tende a perder força. Esta lição histórica deve servir
para repensar o presente, reforçando a ideia de que as políticas educativas
devem ser consistentes, duradouras e centradas nas reais necessidades das
crianças e dos jovens".
No
entendimento do autarca, "é precisamente neste cruzamento entre passado e
presente que se encontra uma das maiores responsabilidades do poder público:
aprender com a história para melhorar o futuro".
