O Bloco de Esquerda (BE) Madeira "vem manifestar o seu mais
profundo e categórico repúdio face ao pacote laboral apresentado pelo Governo e em discussão na Assembleia da República, considerando-o uma afronta sem
precedentes aos direitos de quem trabalha e um retrocesso social que a Região
Autónoma não pode aceitar", salienta uma nota divulgada esta manhã.

Assinada pela coordenadora regional Dina Letra, o texto salienta que "sob a falsa premissa da 'modernização' e da 'competitividade', as medidas propostas pelo PSD-CDS, e que conta com
o apoio do CH e da IL, não passam de uma cedência escandalosa aos interesses
patronais", entendendo que "este pacote não só facilita os despedimentos e promove a
precariedade, como atenta directamente contra a conciliação da vida
profissional com a vida familiar, perpetuando o empobrecimento de quem gera a
riqueza do nosso arquipélago", refere.

​Mais, salienta, "a realidade da Madeira exige caminhos diametralmente
opostos: a valorização real dos salários, o combate à precariedade que asfixia
as nossas gerações mais jovens e a redução do horário de trabalho para
garantir dignidade. Em vez disso, o Governo opta por nivelar por baixo,
fragilizando a contratação colectiva e desprotegendo os trabalhadores num
contexto de brutal aumento do custo de vida e da habitação na Região". lamenta.

Este pacote laboral é uma declaração de guerra a quem trabalha. O Governo e as empresas querem trabalhadores submissos, precários e disponíveis 24 horas por dia, enquanto os grandes grupos económicos continuam a acumular lucros recorde. Na Madeira, onde os custos de insularidade já pesam tanto no bolso das famílias, retirar direitos laborais é empurrar mais madeirenses e porto-santenses para a pobreza. Não vamos assistir a isto de braços cruzados.
— Dina Letra

​Por isso, "face a este ataque cerrado, o Bloco de Esquerda Madeira faz
um apelo veemente à mobilização de toda a classe trabalhadora - do sector
público ao privado, dos precários aos pensionistas, das pescas e agricultura
aos serviços e turismo. É urgente transformar a indignação em ação concreta", insta.

"​O Bloco compromete-se a combater esta proposta em todas as
frentes, tanto no plano político e legislativo, como ao lado dos sindicatos e
dos movimentos sociais nas ruas", destaca Dina Letra. que convoca "todos os trabalhadores a unirem
esforços, a participarem nas acções de protesto e a dizerem um 'Basta!' massivo
à destruição dos seus direitos", lembrando que "a dignidade não se negoceia. Quem trabalha tem direito a
uma vida justa", conclui.