A
Secretária Regional da Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido,
defendeu, esta noite, uma maior convergência "entre a economia e a
solidariedade social como condição essencial para reforçar a coesão
social", sublinhando o "contributo histórico do mutualismo, das
Misericórdias e das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) na
protecção das populações mais vulneráveis".
Declarações
proferidas à margem do Jantar do Montepio Associação Mutualista, a mais antiga
associação mutualista do país, numa iniciativa que reuniu associados, clientes
e cerca de 70 dirigentes representantes do sector social. O encontro serviu para
assinalar o papel do mutualismo enquanto modelo de organização social baseado
na entreajuda, na solidariedade voluntária e na partilha de responsabilidades.
Criado
a partir do princípio de que a protecção social pode ser construída pela própria
comunidade, o mutualismo assenta na união de pessoas que se organizam para
responder, de forma solidária e sustentável, a situações de risco social, como
a doença, a velhice ou a exclusão. Um legado que, segundo Paula Margarido,
continua a ter plena atualidade num contexto marcado por novos desafios sociais
e económicos.
No
início da sua intervenção, a Secretária Regional dirigiu uma saudação aos
membros dos órgãos sociais, representantes institucionais, dirigentes das
Misericórdias, das IPSS e parceiros sociais presentes. Estiveram também
presentes os administradores executivos do Montepio Geral Associação
Mutualista, Rui Heitor, Fernando Amaro e Hélio Marques, bem como a
administradora comercial do Banco Montepio, Isabel Silva, e o administrador
regional, Rodolfo Ferreira.
Proximidade
e dignidade como resposta aos desafios actuais
A
responsável pela pasta da Inclusão defendeu que "nenhuma sociedade
consegue avançar de forma equilibrada se deixar para trás os mais
frágeis". Segundo explicou, as instituições de solidariedade social não
trabalham apenas com respostas técnicas: "trabalham com proximidade, com
dignidade, com humanidade".
Afirmou
ainda que "são muitas vezes elas que chegam primeiro onde existe
sofrimento" e que "conhecem os rostos, as histórias e as dificuldades
concretas das pessoas", assegurando aquilo que "nenhum indicador
económico consegue medir: a protecção da dignidade da pessoa".
Neste
contexto, Margarido realçou que "a economia e a solidariedade não podem
caminhar separadas". Para a governante, "uma sociedade
verdadeiramente desenvolvida não é apenas aquela que cresce economicamente, é
aquela que transforma esse crescimento em bem-estar, em inclusão e em
oportunidades para todos".
Nesse
sentido, elogiou o papel do Montepio como exemplo de "uma visão da
economia com consciência social", sublinhando que, "num tempo em que
tantas vezes prevalece o imediatismo e a lógica do lucro rápido", é
essencial valorizar instituições que mantêm "um compromisso duradouro com
as comunidades e com as pessoas".
A
Secretária Regional classificou as Misericórdias, as IPSS e o sector mutualista
como "parceiros indispensáveis da coesão social", "pilares de
estabilidade", "redes de confiança" e "espaços de esperança
para milhares de famílias".
"O
futuro da nossa sociedade dependerá muito da capacidade que tivermos de
fortalecer estas instituições, de valorizar quem nelas trabalha e de reforçar
esta grande aliança social entre o sector público, o setor social e as
instituições da economia social", concluiu.

