A psicóloga Ema Sousa começou por referir, na entrevista
presente no canal do DIÁRIO no YouTube, que “o burnout consiste num síndrome de
stress crónico associado especificamente ao contexto laboral”.

“Todos sentimos stress em várias áreas da vida, mas o
burnout resulta da exposição prolongada ao stress no trabalho e da incapacidade
do nosso organismo para lidar com essa pressão ao longo do tempo”, apontou a
especialista em saúde mental.

Recorrendo a uma metáfora para explicar o processo, a
especialista pediu para imaginar uma torradeira, onde “colocamos o pão e, se
ele salta ao fim de um minuto, fica perfeito. Quando vamos ao trabalho,
imaginemos que somos este pão e corre tudo bem. No burnout, porém, a torrada
não salta. Fica lá dentro demasiado tempo e começa lentamente a queimar sem que
ninguém repare”.

Segundo a psicóloga esta condição instala-se de forma gradual, "muitas vezes sem
que reconheçamos os primeiros sintomas até, infelizmente, ser tarde demais”, ou
seja, voltando ao pão na torradeira, “só quando já está a deitar fumo e a
incendiar é que os meios de alerta soam”.

Questionada sobre se existem cada vez mais casos ou se
existe uma maior sensibilização para o tema, Ema Sousa não hesitou em referir que
“tem vindo a afectar mais pessoas”, recordando que o burnout apenas foi
reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2018 e classificado
globalmente como síndrome em 2022.

Relativamente aos primeiros sinais de alerta, explicou que “frequentemente não
é o próprio indivíduo quem os identifica, mas sim as pessoas à sua volta”,
surgindo maior cansaço, irritabilidade e dificuldades em desligar do trabalho.

A especialista alertou ainda para os riscos de ignorar os
sintomas, tendo sublinhado que “são progressivos e potencialmente graves”,
podendo surgir consequências físicas e emocionais associadas ao stress
prolongado, que se não forem tratadas a tempo podem ser irreversíveis.

De acordo com Ema Sousa, a maioria das pessoas procura ajuda
apenas numa fase avançada.

“Habitualmente as pessoas passam por várias fases antes de pedir ajuda.
Inicialmente sentem apenas cansaço e respondem trabalhando ainda mais,
acreditando que conseguirão recuperar o controlo”, explicou.

A psicóloga destacou ainda o papel da cultura laboral,
defendendo que as organizações devem criar ambientes de trabalho saudáveis, com
liderança adequada, comunicação interna eficaz e um acompanhamento real dos
colaboradores.

“Todos nós merecemos um espaço em que nos sentimos
valorizados, que conseguimos fazer a diferença e que o nosso tempo e
conhecimento é reconhecido. Seja em que profissão for”, afirmou a psicóloga, tendo sublinhado que “as empresas precisam de adoptar esta postura,
porque não têm só alguém para desempenhar tarefas, têm uma grande parte da
vida das pessoas nas suas mãos.”

Assista a entrevista para ficar a conhecer a que
sinais deve estar alerta, em que consiste as diferentes fases do burnout e o
que deve fazer caso identifique os sintomas em si ou em alguém próximo.