O procurador-geral da República negou hoje no parlamento ter
"timings políticos" nos inquéritos e buscas do Ministério Público,
questionado sobre as buscas de hoje à sede do PS e freguesias ligadas ao
partido.

"Eu nunca tive 'timings' políticos, nunca", disse Amadeu
Guerra na audição perante os deputados da comissão parlamentar de Direitos,
Liberdades e Garantias, onde hoje esteve, com o vice-procurador-geral, Paulo
Morgado de Carvalho, e com o diretor do Departamento Central de Investigação e
Ação Penal (DCIAP), Rui Cardoso, para responder sobre as conclusões de uma
inspeção que revelou diversos problemas e falhas no DCIAP, o departamento do
Ministério Público dedicado à criminalidade mais complexa.

A garantia foi deixada pelo procurador-geral, após as buscas que
hoje ocorreram terem levado Rui Rocha, da Iniciativa Liberal - que apresentou
um dos requerimentos que motivou a audição -, a questionar Amadeu Guerra sobre
o momento político e as sondagens favoráveis ao PS podiam explicar o momento
para desencadear a operação e se a maior ou menor morosidade de algumas investigações
podia ser explicada por "agendas ditadas por outro tipo de
interesses" que não o judicial.

"Nós não somos taticistas. A minha experiência diz-me uma
coisa: quando, por cautela, não damos o despacho, não decidimos, depois vai ser
pior. Podem acontecer outras coisas que nós não estamos à espera e depois é
pior. Isso às vezes acontece", disse Amadeu Guerra.

"Eu não ligo a sondagens. (...) Nós não temos 'timings'
políticos. É óbvio que vai haver pessoas que dizem que o diretor do DCIAP disse
que não há 'timings políticos', mas que há, e nós sabemos quais é que são. Eu o
que vos queria pedir, e às pessoas, estejam tranquilas, nós não temos situação
absolutamente nenhuma de 'timings' políticos", acrescentou o
procurador-geral.

Sobre a carta que o juiz Ivo Rosa escreveu ao Presidente da
República, António José Seguro, a denunciar uma "perseguição
criminal" do Ministério Público (MP) a decisões que tomou por serem
contrárias às pretensões das teses e acusações dos procuradores, Amadeu Guerra
disse que a carta está a ser analisada.

"Nós tratamos por igual todos os cidadãos", garantiu o
procurador-geral da República.

Disse ainda que o MP fez em outubro do ano passado um levantamento
de processos-crime contra magistrados, que revelou 197 processos-crime.

"Nós também temos processos-crime, eu já tive, não tinha
conhecimento e só soube com o despacho de arquivamento", disse Amadeu
Guerra.

O procurador-geral disse que quando existe uma denúncia
"suficiente para abrir um processo-crime", ele é aberto
"independentemente das pessoas" e sublinhou as conclusões da inspeção
interna às investigações abertas a Ivo Rosa, que não encontrou "qualquer
violação de direitos fundamentais naquele processo principal".

"Uma coisa muito importante: todas as intrusões referidas foram
autorizadas por um juiz de instrução criminal. Que se diga isto, porque eu
ainda não ouvi dizer isso e isso é muito importante que se diga", disse
Amadeu Guerra.