O secretário-geral da ONU reiterou hoje que o
seu gabinete continua aberto para Israel, depois de Telavive anunciar a suspensão
das relações com António Guterres.
"Vimos o anúncio do embaixador
[israelita junto da ONU, Danny] Danon, de que estão a cortar todos os
contactos com o gabinete executivo do secretário-geral. Posso dizer que, do
ponto de vista do secretário-geral, as portas continuam abertas aos
representantes israelitas, assim como aos representantes dos outros 192
Estados-membros e dos Estados observadores", afirmou o porta-voz de
Guterres, Stéphane Dujarric, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.
Israel suspendeu relações com António
Guterres e denunciou a decisão da ONU, ainda não pública, de incluir Israel
numa "lista negra" relacionada com violência sexual em conflitos.
"Chegámos ao fim com este
secretário-geral", disse Danny Danon numa mensagem vídeo publicada nas
redes sociais.
A missão israelita esclareceu que
isso significa o congelamento das relações com o gabinete do secretário-geral
até o final do mandato de António Guterres, a 31 de dezembro deste ano.
Dujarric não comentou o conteúdo
do relatório, uma vez que o mesmo ainda não foi apresentado ao
Conselho de Segurança da ONU, mas disse acreditar que os "Estados-membros
devem envolver-se e continuar a envolver-se" com todos os mecanismos
disponíveis, "quer façam parte do gabinete executivo do secretário-geral,
quer dos órgãos legislativos, para trabalharem em conjunto".
"O envolvimento é sempre uma
solução melhor do que o afastamento", defendeu.
O porta-voz acrescentou ter ficado a
saber da decisão israelita através "das redes sociais".
As Nações Unidas incluíram Israel numa
lista negra de perpetradores de violência sexual em zonas de conflito, num
relatório que ainda não foi tornado público, mas que está a ser
apresentado aos Estados envolvidos antes da publicação.
O Serviço Prisional israelita está
entre as várias entidades adicionadas à lista da ONU, de acordo com relatos dos
meios de comunicação israelitas, juntamente com outras autoridades de Israel.
"A decisão de incluir Israel na
lista negra e acusar-nos de usar a violência sexual como arma de guerra é
ultrajante", insistiu o embaixador israelita, acusando o líder das Nações
Unidas de equiparar o Hamas a Israel.
O difícil relacionamento entre
Telavive e a ONU deteriorou-se significativamente após o ataque sem
precedentes do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, e a
retaliação do exército israelita na Faixa de Gaza.
Em outubro de 2024, as autoridades
israelitas declararam Guterres como "persona non grata", proibindo a
entrada do líder da ONU em Israel.
Telavive argumentou na ocasião que Guterres
não tinha condenado inequivocamente os ataques conduzidos contra Israel.
