A líder do Partido Trabalhista Português (PTP), Raquel Coelho, reagiu hoje
com ironia à decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de confirmar os
fortes indícios de corrupção que envolvem o ex-autarca do Funchal, Pedro
Calado. Para a líder partidária, "num regime moldado pela impunidade, o acórdão
funciona como o cartaz eleitoral perfeito".
"A Justiça continental teima em não perceber o sistema político
madeirense", ironizou Raquel Coelho, lembrando que as investigações
criminais na região parecem servir de tónico para o sucesso político.
Como prova, a líder do PTP apontou "o exemplo paradigmático de Miguel
Albuquerque: após ser alvo de duas megaoperações por suspeitas de corrupção ,
acabou reeleito com uma votação reforçada". "Albuquerque provou que, quanto
mais corrupção, mais o eleitorado vota. Com esta confirmação de indícios contra
Calado, as hipóteses de o PSD esmagar a oposição nas próximas eleições subiram
exponencialmente", atirou.
Raquel Coelho deixa aviso a Jorge Carvalho: "terá concorrência forte para as
próximas eleições à Câmara do Funchal, correndo sérios riscos de ser
substituído por Pedro Calado para disputar o acto eleitoral”.
O PTP lamentou o "voto cego e a anestesia social de uma população
que, perante o favorecimento de grupos económicos à custa dos dinheiros
públicos, prefere continuar a votar sempre nos mesmos".
E concluiu: "A corrupção na Madeira já não é um defeito do sistema; tornou-se o
próprio sistema, validado e carimbado pelo voto popular".

