O Presidente
norte-americano, Donald Trump, adiou hoje, à última hora, a assinatura de uma
ordem executiva sobre a regulamentação da inteligência artificial (IA) e os
riscos de cibersegurança, alegando receios de comprometer a vantagem
competitiva face à China.
"Adiei porque não
gostei de certos aspetos", explicou Trump, durante uma conferência de
imprensa na Casa Branca, onde era esperada a assinatura oficial do documento
perante vários dirigentes de grandes empresas tecnológicas norte-americanas.
"Estamos à frente da
China, estamos à frente de todos, e não quero fazer nada que possa pôr em risco
esta liderança", acrescentou Trump.
O chefe de Estado
norte-americano disse ainda temer que a ordem executiva pudesse transformar-se
num "obstáculo" ao desenvolvimento tecnológico dos Estados Unidos.
A medida, cujo anúncio já
tinha sido sucessivamente adiado, previa que os modelos de IA mais
avançados fossem submetidos a uma revisão governamental de 90 dias antes de
serem disponibilizados no mercado.
O texto representava uma
inflexão significativa na política do Governo norte-americano, que até agora se
tinha mostrado hostil a novas regulamentações no setor da IA, defendendo que
regras excessivas poderiam travar a inovação de empresas norte-americanas
como Google, OpenAI e Anthropic perante a concorrência
chinesa.
Nos últimos meses,
contudo, as preocupações relacionadas com a cibersegurança ganharam peso dentro
da Casa Branca.
Washington teme que os
modelos de IA mais avançados possam identificar e explorar vulnerabilidades
informáticas a uma velocidade sem precedentes, facilitando ataques contra
infraestruturas críticas, incluindo redes elétricas, instituições financeiras e
sistemas governamentais.
Segundo vários meios de
comunicação norte-americanos, o projeto foi parcialmente motivado pelo
desenvolvimento do modelo Mythos, criado pela Anthropic e mantido fora do
domínio público devido ao potencial risco associado às suas capacidades.
A empresa terá limitado o
acesso ao sistema a um grupo restrito de parceiros tecnológicos, entre os
quais Apple, Microsoft e Nvidia, no âmbito de uma
iniciativa interna de reforço da cibersegurança denominada Glasswing.
O Governo do Presidente
Trump descrevia o novo mecanismo como voluntário e não vinculativo,
distinguindo-o da ordem executiva aprovada em 2023 pelo então Presidente Joe
Biden.
Essa medida obrigava as
empresas de IA a comunicar ao Governo norte-americano os resultados dos testes
de segurança dos seus modelos mais poderosos, tendo sido revogada por Trump
logo após o regresso à Casa Branca.
Segundo a imprensa
norte-americana, o novo adiamento estará também relacionado com divergências
internas no Governo sobre o alcance e o conteúdo da futura regulamentação.
