O Parlamento Europeu criticou hoje a Comissão Europeia por
convidar talibãs para uma "reunião técnica" em Bruxelas, para
negociar a deportação de migrantes afegãos irregularmente entrados na União
Europeia e considerados uma ameaça à segurança.
O texto, aprovado por uma larga maioria de 480 votos a favor,
cinco contra e 83 abstenções, insta o Conselho e a Comissão que Ursula von der
Leyen dirige a manter o "não-reconhecimento" do regime talibã como
autoridade legítima no Afeganistão e a "não normalizar" as relações
com o grupo fundamentalista islâmico.
Bruxelas admitiu, há dias, ter enviado uma carta formal a convidar
representantes do regime talibã para uma reunião de "nível técnico",
cuja data e cargos dos participantes ainda não foram divulgados.
Um porta-voz comunitário referiu, então, o interesse em
"manter uma cooperação operacional com as autoridades 'de facto' no
Afeganistão", ao mesmo tempo sublinhando que tal "não constitui, de
forma alguma, um reconhecimento [do regime]".
Neste contexto, os eurodeputados reunidos em plenário em
Estrasburgo, França, condenaram a recente adoção pelos talibãs do Código de
Processo Penal para os Tribunais, que fomenta a perseguição sistemática de
mulheres e meninas no Afeganistão e institucionaliza violações em massa dos
direitos fundamentais, incluindo o 'apartheid' de género, a escravatura e os castigos
corporais.
Exigem, assim, a revogação imediata desse código e o fim dos
chicoteamentos públicos, execuções e outras punições impostas a grupos
vulneráveis, como mulheres, meninas, pessoas LGBTIQ+ (Lésbicas, 'Gays',
Bissexuais, Transgénero, Intersexuais, 'Queer' e outras) e minorias religiosas.
O Parlamento Europeu (PE) exigiu também uma atuação mais enérgica
da União Europeia (UE), que inclua a execução dos mandados de captura do
Tribunal Penal Internacional (TPI) e o aumento das sanções em matéria de
Direitos Humanos contra responsáveis pela perseguição de mulheres e meninas.
Defendeu igualmente a urgência de aumentar a ajuda humanitária
para aqueles que lutam contra a fome no país e para as defensoras dos direitos
humanos, juízas, advogadas, jornalistas, ativistas e organizações lideradas por
mulheres no Afeganistão.
O plenário do PE apelou também hoje, com outra resolução, para a
imposição de sanções mais severas às autoridades do Irão, em resposta à brutal
repressão sofrida pela população que protestava nas ruas contra o Governo da
República Islâmica.
Em particular, o PE instou a UE a ampliar mais ainda as sanções
aos responsáveis iranianos pela repressão, incluindo a Guarda Revolucionária e
as entidades vinculadas ao líder supremo, o 'ayatollah' Mojtaba Khamenei, e que
lhes seja proibida a entrada na Europa comunitária, bem como às respetivas
famílias.
Por último, o PE defendeu que os Estados-membros devem encerrar as
missões diplomáticas iranianas ligadas à repressão transnacional e aplicar
todas as sanções.
