O PCP
promoveu esta terça-feira, no centro do Funchal, uma jornada de contacto com trabalhadores
e com a população com o objectivo de denunciar "o maior ataque aos direitos
laborais das últimas décadas", promovido pelo "Governo PSD/CDS ao serviço dos
interesses do grande patronato", e de mobilizar os trabalhadores para a greve geral de 3 de Junho, convocada pelo Movimento Sindical Unitário.

A
iniciativa decorreu junto ao Centro Comercial Plaza Madeira e contou com a
participação do membro do Comité Central do PCP, Ricardo Lume, que denunciou
que “se dependesse apenas da vontade do Governo PSD/CDS, dos patrões e dos
partidos que os apoiam, Chega e Iniciativa Liberal o chamado pacote laboral já
teria sido aprovado há muito tempo”.

Ricardo
Lume afirmou que o Governo nunca quis verdadeiramente negociar alterações à
legislação laboral com os representantes dos trabalhadores, procurando antes
impor um grave retrocesso nos direitos conquistados ao longo de décadas de
luta, tentando garantir legitimidade através da assinatura de, pelo menos, uma
das centrais sindicais mais representativas, nomeadamente a UGT (afecta ao PS, contrariamente à CGTP, afecta ao PCP), embora não tenha referido o nome.

O
dirigente comunista recordou que, quando o Governo avançou com esta proposta em Julho de 2025, “julgavam que tinham o caminho livre e que tudo seriam favas
contadas, mas não contavam com a resistência e a luta dos trabalhadores”.

“O
Pacote Laboral ainda não foi aprovado porque a luta dos trabalhadores tem sido
um verdadeiro obstáculo aos objectivos do Governo e do patronato. Sempre que
tentam convencer os trabalhadores de que não vale a pena lutar, importa lembrar
que eles não podem tudo. Foi a luta persistente e determinada dos trabalhadores
que impediu, até agora, que este ataque aos direitos laborais avançasse”,
sublinhou.

O PCP
alerta que, mesmo sem acordo na concertação social, o Governo da República
mantém a intenção de levar este pacote legislativo à Assembleia da República, "insistindo numa proposta que mantém os aspetos mais negativos da actual
legislação laboral e acrescenta novos ataques aos direitos de quem trabalha".

Neste
sentido, o PCP considera que a greve geral de 3 de Junho será "um momento
decisivo para afirmar o descontentamento dos trabalhadores e demonstrar que não
aceitam mais retrocessos sociais e laborais".